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Publicado por em ago 3, 2014 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

TEMPLO DE SALOMÃO

TEMPLO DE SALOMÃO

Recebi uma mensagem perguntando sobre o Templo de Salomão construído em São Paulo. Gizael da Silva é de Vazante, atualmente mora na cidade de Sumaré onde dirigi a IMR de lá,

“Porque eu não vejo nada demais. Achei lindo, lindo e não vi nada demais a nossa presidente comparecer na inauguração. Achei uma honra! E Acho que Deus é digno de ter um lugar lindo para ser adorado. Estou certa. Apesar de nós não termos nada com isso. Não é?

Essa foi a pergunta da pastora Gizael da IMR Sumaré, que passo a responder valendo para todos os outros pastores da nossa IMR.

A construção do Templo foi um grande empreendimento pessoal do Bispo Macedo, e que merece todo respeito, é um homem ousado, conseguiu alcançar o seu alvo, mesmo que discordemos dos meios para alcançar o fim, isto é, do sistema arrecadatório, não podemos reprovar a construção simplesmente por ser contra, e de fato como disse a pastora: “Apesar de nós não termos nada com isso”. Não temos mesmo.

O primeiro contexto a ser examinado nessa questão é onde encontramos o texto sobre o Sábado. Os discípulos entraram no templo para buscar alimento. “Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam com fome? Como entrou na CASA DE DEUS, e comeram os pães da Presença, os quais a lei não lhes permitia comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes? Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e, contudo, são desculpados? Pois Eu vos afirmo QUE AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE O TEMPLO” (Mateus 12.4-6) A grandeza do Templo impressionava, mas Jesus se declarou: “plus grand que le temple” (maior do que o templo). Em que sentido? Obviamente no sentido espiritual. Isso significa que o Templo serve como lugar, mas o lugar por excelência é o ser humano.

Jesus não reprovou o Templo, mas algum tempo depois disse em relação ao templo que o mesmo seria destruído. Restou do Templo, o muro ocidental onde os judeus fazem as suas preces.

Uma exegese inicial deve ser feita a partir do sábado, que tem um significado ideal, “cessar”, um dia de descanso em homenagem ao Criador, e visava o benefício social para que o povo refizesse suas forças e também aproveitasse para ler, adorar e meditar como fazemos aos domingos.

Depois da ressurreição o domingo tomou o lugar do sábado pela importância da vitória sobre a morte, Sábado no grego é, σαββατον Sabaton, o sufixo: τον (ton), sufixo de, possibilidade ou realidade, (J.Harold Greenlee)

No hebraico, שׁבת Shabath, cuja primitiva raiz significa, repouso, ou seja, desistir de esforço, figurativamente ou especificamente.

O caso é que Jesus não levou em conta o significado do sábado, considerando-o como dado à humanidade para o seu bem, logo não se trata de uma Lei rigorosa, poderia sofrer mudanças, e foi o que aconteceu, o descanso passou para o Dia do Senhor no domingo da ressurreição.

O Templo no Novo Testamento é, ιερου, Templo, Santuário, também significa, vítima, animal que se sacrifica, oferenda, sacrifício, objetos sagrados, tesouros do templo, serviços do templo, e até mistérios.

Uma análise histórico-crítico, isto é, avaliando o texto e o contexto dentro da história, sabemos que se tratava da história ligada aos judeus, e que Jesus em várias oportunidades exortou para observassem não a letra mas o “espírito” da lei. Paulo depois acrescenta, “a letra mata”.

O QUE É MAIOR TEM MAIS IMPORTÂNCIA

Jesus usou duas palavras para a expressão comparativa, “maior do que” no versículo 6 ele usa, μειζον (meizon) se referindo ao Templo, e no verso 42, Πλειον, mais do que, comparativo de Πολύ ( polú), muito.

Os judeus tinham o Templo como o símbolo mais importante da sua religião, até hoje é assim; um rabino de Israel se pronunciou contra a construção do Templo de Salomão na cidade de São Paulo afirmando que, o lugar sagrado é Israel e que essa construção era uma obscenidade, isto é, algo indecente. Acho que o Rabino exagerou, ainda mais que o Templo se destina ao Culto em Nome de Jesus.

Quando Jesus se declara Πλειον, (pleion), maior do que o Templo fica claro que o Templo não tinha essa importância toda, mesmo nos profetas havia exortações a respeito da confiança que poderia ser depositada no Templo, “Não depositeis a vossa confiança em discursos mentirosos que apenas alardeiam: “Este é o Templo de Yahweh, vinde para o Templo do Senhor! O Templo do Senhor! (Jeremias 7.4). Se não houver o respeito pelo próximo, nada feito. “…e se de fato, passardes a tratar uns aos outros com verdade e justiça”, teria algum valor, mas o valor só seria reconhecido mediante o testemunho de doutrina e justiça de uns para com os outros, se houvesse injustiça na mensagem, mentiras no lugar da verdade, engano e fraude; o profeta acrescentou: “Eis que vós vos fiais em palavras fraudulentas, que não têm o menor poder de ajudar a quem quer que seja” (Jr 7.8)

O caso é, caríssima pastora Geizel, que Jesus ensinou que o templo que Deus escolheu de forma definitiva para habitação somos nós mesmos, logo fica claro que Jesus não deu a mesma importância que os judeus davam, porque estava chegando no tempo aquele que era mais importante do que o Templo, e que esse passaria e aquele permaneceria como lugar íntimo de adoração.

No Evangelho de Joao lemos que: “ Mulher podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém (Templo) adorareis o Pai. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (João 4.21 e 23).

O que Jesus tinha em mente não era o Templo como o lugar único ou o mais importante, mas o coração do homem era o lugar excelente, o Evangelho de João enfatiza o interior do ser como o lugar por excelência.

Entretanto é também como a pastora Geizel diz: “E Acho que Deus é digno de ter um lugar lindo para ser adorado”. Tenho a mesma opinião se lá fizerem o Culto a Jesus com sabedoria e sem acrescentar o judaísmo que Paulo tanto combateu, a ponto de dizer para os Gálatas, “Essa questão foi suscitada devido ao fato de alguns falsos irmãos judeus terem se infiltrado em nosso meio, com o propósito de espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à

condição de escravos” (Gálatas 2.4). A Bíblia KJV acrescenta uma nota: “ Paulo considerava “falso” os judeus que havia passado pelo batismo cristão, mas defendiam crenças judaizantes (Atos 15.1), isto é, eram legalistas militantes e queriam a todo custo implantar na Igreja todos os costumes e tradições rabínicas quanto à Lei de Moisés”.

Assim, se eles permanecerem no evangelho de Jesus tudo bem, o lugar é lindo, mas se começarem a introduzir o judaísmo será algo fora do evangelho, e uma tentativa de escravizar as mentes como disse Paulo. Ficou bem parecido com o judaísmo a introdução da Arca da Aliança no Templo de Salomão construído em São Paulo. Mas a Arca é um símbolo de uma realidade que já chegou, não fica muito bem teologicamente colocar as sombras no lugar da realidade a não ser como peça de teatro, numa representação artística numa metáfora aplicada numa mensagem sobre a presença do Senhor na Igreja ou no íntimo de cada um de nós, como já dissemos anteriormente, o lugar da habitação é o coração do homem.

Quanto à presença da presidente tem algum significado, mas todos nós sabemos que ela é agnóstica desde criancinha como disse um articulista da Folha de São Paulo, então a presença dela é meramente política e circula notícia que ela recebeu para a sua possível reeleição alguns milhões da liderança do Templo de Salomão.

Eu também tenho a mesma opinião querida pastora Geizel, acho que é um lugar lindo, a construção é bela. Resta esperar pelo andamento de tudo isso, sabendo entretanto que, nós somos o Templo do Espírito Santo, mesmo que não sejamos tão belos como o Templo de Salomão, mas para Jesus isso é fundamental.

Conclusão:

Creio que puder ajudar em alguma coisa, no que faltar o Senhor esclarecerá a todos nós.

Shalom, para você e toda a família e Igreja que está em Sumaré- SP

Bispo Primaz

I.F. Barreto.

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