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Publicado por em dez 22, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Missoes, Notícias | Ninguém comentou

RUTE A MOABITA

RUTE A MOABITA

A pedido da presidene da Sosimer, Pastora Elza Fernandez; apresento a mensagem de domingo, dia 20 de Dezembro de 2015.

RUTE A MOABITA

Você já conhece ou conheceu alguém que não busque a felicidade? Para uns ela habita dentro do homem assim acreditava e ensinava Diógenes. Para Epícuro “O prazer é o início e o fim da vida feliz”, Epícuro dizia que, “o maior prazer era a ausência de dor e agitação. Para o cristão a felicidade é em parte a vida com Cristo aqui em meios a tentações e livramentos, e a plenitude só mesmo na eternidade. Para o Cristão a máxima de Cristo é: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo”.

Vencer o mundo é uma coisa complexa, Noemi lutou como uma verdadeira líder, ela assumiu a sua função e venceu, continuou com lutas, mas venceu todas e Rute aprendeu com ela. Isso é ser feliz. Noemi dizia a Rute: “Minha filha, não devo eu buscar-te repouso, para que seja feliz?” (Rute 3.1) יטב, yâṭab, “se sentir bem”, serve para um bom som, boa figura, no caso de Rute, ser formosa, encontrar favor, ser feliz.

A história de Rute pode ser contextualizada com a sua história, com a história de uma amiga querida que você acompanhou nos conflitos desta vida, sua mãe, sua sogra, sua  amiga enfim.

Sua sogra Noemi (afortunada) era casada com um judeu cujo nome significa, “Meu Deus é rei”, portanto seu nome simbolizava tudo o que se diz de um devoto, era um judeu praticante.

Ao chegar em Moabe Eimeleke arrumou trabalho para o sustento de Noemi e seus dois filhos, que logo se casaram com as Moabitas que aparecem. No texto chamadas de Rute (simples e amiga) fazia amizade com facilidade e a sua irmã Orfa conhecida por “Obstinada”. Eles todos receberam de Eimeleke as instruções sobre o judaismo, ele era devoto.

A vida dessas irmãs foi repleta de lutas, aquelas lutas do dia a dia, para ganhar o pão diário para vencer as batalhas normais da vida. Uma vida feliz!

Noemi foi a mais infelicitada com a morte do marido e depois dos dois filhos, Malom (enfermidade)  e Qeiliom (desfalecido). A propósito ninguém coloca esses nomes em seus filhos, e nem imaginamos porque Noemi colocou esses nomes, e como Rute e Orfa se interessaram por pessoas cujos nomes tinham um significado tão pessimista. E morreram mesmo. Talvez esses nomes tenham sido dados posteriormente, depois da morte deles, e nunca antes, seria até “mau agouro” dá nomes como esses a seus filhos.

Nada era mais importante do que a Herança para uma família em Israel, e Noemi ficou à deriva com suas duas noras, sem herança, sem renda, sem trabalho. Ela então propos que as noras ficassem em Moabe e arranjassem um novo casamento, naturalmente que núpcias significava mais do que amor, etc;  na antiguidade significava “estabilidade”. Uma mulher viúva poderia terminar dormindo na rua, nas eiras, nos cantos e até se prostituindo, por isso, para evitar esse infortúnio existia a lei do Levirato, isto é, a mulher viúva sem filhos deveria se  casar com o irmão do seu marido ou um parente próximo.

Orfa era tida por obstinada, não se sabe se predestinada a ser obstinada ou se ela era obstinada na predestinação de ser o que era, obstinada. Se era livre para atender Noemi e viver na terra de Belém ou se por motivo alheio à sua vontade teria mesmo que viver em Moabe e terminar adorando os ídolos  nos seus  altares. Orfa “é aquela que vira as costas”. Pelo menos nisso era livre. Deliberadamente ela volta para o seu povo.

Rute,  “a amiga” já convertida ao Deus Yahu dos Judeus, se apega à sua sogra Noemi (minha doçura) como se fosse a sua mãe. Aqui está um bom exemplo para as noras de hoje.

Afinal, Orfa dá as costa e Rute segue a sogra de volta para Efrata, Noemi era a líder, dirigia no meio das circunstância e queria resolver o problema da herança. Como a herança só se passava para o homem, ela teria que achar alguém para se casar com Rute, e teria que ser um parente próximo.

E, assim ela resolve tomar a liderança do assunto e prepara Rute para um encontro com um fazendeiro rico chamado Boaz, ele era o גּאל Goel, ou  Gaal, o resgatador. O parente próximo e aquele que deveria se casar com Rute.

Gaal é uma palavra hebraica cuja raiz significa “aquele que redime”, Assim essa história termina por apontar para Cristo, e esse é o motivo principal para “Rute” fazer parte do Antigo Testamento como livro canônico.

O processo de resgate exigia uma reunião com os interessados, já que nesse caso existia um outro parente mais próximo de Noemi do que Boaz. Existia um resgatador com a primazia do resgate, e Boaz sabia disso, parece que ele já sabia de tudo, “Foi-me contado tudo o que fizeste  por tua sogra após a morte do  seu marido, e como deixaste pai e mãe  e tua terra natal para  vires morar no meio de um povo que antes não conhecias” (Rute 2.11)

Rute instruida pela sogra Noemi vai naquela semana da colheita  e procura encontrar Boaz, mas faz isso em segredo, mas logo Boaz a viu fazendo a  respigas, isto é, colhendo aquilo que sobrava para os pobres, tudo indica que ele gostou dela, pois logo começou a protegê-la  “acaso não ordenei aos servos para não te “nãga” molestarem?”. Uma viúva no meio dos servos poderia se transformar em um objeto do prazer, por isso ele ordenou aos servos, para não tocarem nela, ou proibi-la de colher a parte dos pobres, enfim “נגע”, (nãga)significa: “tocar,” eufemisticamente, “se deitar com ela”. Talvez Boaz desconfiasse de que era um dos remidores e já se previniu protegendo aquela que poderia ser sua mulher.

Rute era moabita como já dissemos, e descendente de uma histórica relação incestuosa, daí as duas famílias, moabitas e amonitas, que só deram problema para Israel, mas Rute foi a grande benção.

Boaz não demorou a se interessar pelo resgate, mas sabendo que havia um parente mais próximo procurou acelerar o encontro com esse parente para que pudesse entrar como o único resgatador.

Naquele tempo se tirava o sapato como testemunho da decisão, como prova, e assim  foi feito, Boaz que já havia decidido resgatar  a herança e com isso trazer Rute como esposa, se dirigiu ao parente mais próximo de um modo a deixá-lo desapontado e assim foi, e a esse parente, disse: “No dia em que adquirires esse campo da mão de Noemi, estará adquirindo também Rute, a moabita mulher daquele que morreu, para perpetuar o nome do morto sobre o seu patrimônio”. Ele desistiu, e Boaz assumiu toda a conta e com isso obteve o direito e a obrigação de se casar com Rute.

Além dessa história temos nela o pano de fundo para a Obra Redentora de Cristo, Ele é o Grande Resgatador,  גּאלGaal, que paga o preço total pela  humanidade, Noemi cumpre aquele papel de líder missionária, aquela que aponta caminhos,  mostrou para Rute  Boaz o resgatador.  Rute representa a humanidade objeto do resgate, nos  representa diante do remidor, sem herança, sem proteção, sem esperança, pobre e infeliz, crendo como ela, mas achando-se abandonado (a).

Assim como Rute e Orfa o pecador vive ali próximo das bençãos, próximo da crença, basta uma palavra e tudo começa a mudar, Eimeleke falou, Noemi pregou e as noras ouviram, pelo menos uma se converteu. A vida é assim, o evangelismo é assim, dá seus frutos, às vezes não é 100%, mas nunca voltará vazia a palavra do Senhor. Ela é que fará o trabalho designado para fazer, mas o homem pode se recusar como Orfa, dando as costas, pode ser que Orfa mudou de ideia num futuro incerto, mas o que interessa é o agora. Agora você toma posse da felicidade. Rute é agora,uma tomada de decisão. Isso faz a diferença em tudo o que você quiser fazer. “Farei tudo o que disseste” (Rute 3.5). O lider do futuro começa na obediência e segue obedecendo, ouvindo  e desenhando a imagem do futuro e tomando posse. Seja como Rute. Uma mulher que soube ouvir e obedecer.

A Árvore geneológica de Davi começa com: Salmom, Raabe depois Boaz, Depois Rute, Obede, Jesse e Davi.

Da parte de Rute:  Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom, Rute entra para a família, fica viúva. E busca o resgatador Boaz.

Quando Noemi chega em Efrata todos a chamam de “Afortunada”, mas ela responde: “não me chamem Afortunada, mas Mara”, porque “Parti  com as mãos cheia , e Iahweh me reconduz de mãos vazias, …..Iahweh  se pronunciou contra mim, e Shaddai me afligiu” (1.19-21).

Você notou que no Antigo Testamento o Diabo não aparece muito, o mal é atribuido a Deus, assim acreditava o judeu, eles nem falam muito no diabo, quase não se percebe, porque para ele  o bem e o mal vinham de Deus, em quase  todos os casos. Tudo era prova de Deus e o diabo não entrava em cena. Fazia parte da existência todos os acontecimentos dessa vida, o bem e o mal, mas o bem eles desejavam e da pobreza fugiam. A riqueza, a abundância fazia parte da vida feliz, sinal de que o Senhor estava com tal pessoa, e até os criados, servos e servas se sentiam felizes vivendo na abundância.

Só no Novo Testamento o diabo aparece “rodando a baiana”, porque é confrontado por Jesus, mas fica a curiosidade sobre os judeus que nem sequer falavam dele.

Parece que o diabo surge na Pérsia no VI século a.C  com o grande legislador Zoroastro que descreveu o mal por Arimã  “princípe da trevas” que estava em constante luta com o príncipe da luz, “Mazda”.  A Pérsia infuenciou muito os judeus nesse entendimento, depois do cativeiro surge a forte ideia do nome Satan, também conhecido por, “acusador” ou “adversário”.

A coisa andava oculta até que Jesus disse: “Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago” (Lucas 10.18).

Hoje nem sabemos se Rute entraria numa dessas comunidades que “quebram maldições”, porque a carga dela era pesada, descendente de um incesto é coisa difícil para qualquer comunitário resolver pela regressão, ficaria mais de 100 dias regredindo…talvez nunca mais retornasse para contar a história, perdido no túnel do tempo, no fundo do poço com a mão estendida sem ninguém para socorrer.

Então, em Cristo não tem passado que suporte a sua presença, e tudo se faz novo. com Rute bastou a confissão: “Para onde fores, irei também, onde for tua moradia, será também a minha; teu povo será o meu povo e teu Deus será o meu Deus. Onde morreres, quero morrer e ser sepultada”. E fez juramento: “Que Iahweh me mande este castigo e acrescente mais este se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti”. (Rute 1: 16-17)

Você sabe como se faz essa confissão em Shimoio, Moçambique? “Nidmi Kristus’ (Tu é o Cristo), é a confissão de fé do Judeu ao se tornar cristão, e a confissão de Pedro, a sublime confissão: Συ είσαι ο Χριστός, ou,  σύ εί ό Χριστός

O preço do resgate incluia Rute, mulher abandonada, colhendo a sobra da sega do trigo, era como estávamos no passado, pobre sem herança, sem esperança. Mas Rute conservava a fé, acreditava como uma verdadeira líder, a palavra dela era firme. Assim devemos ser, manter a fé em Yahu e buscar a felicidade. Agora fomos resgatados das trevas para o reino, agora  é abundância e felicidade. Alguém dirá: “Mas no mundo tereis aflições”. Sim claro, mas podemos vencer o mundo é a nossa resposta, a resposta de Rute.

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