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Publicado por em maio 31, 2014 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

Recordações de um estudante da Faculdade de Direito

Recordações de um estudante da Faculdade de Direito

Quando estudava Ciências Jurídicas na Faculdade  de Direito Laudo de Camargo, foi me dado como tarefa defender uma mãe que jogara um feto no lixo.

O professor fazendo o papel de um promotor acusou a mulher, eu deveria fazer o papel do advogado e defender meu cliente.

 Não sentindo nenhum entusiasmo para defender, comecei apontando o erro de forma a configurar um crime que deveria receber a devida condenação e o culpado do meu ponto de vista deveria receber a mais severa condenação.

 O crime seria, Aborto, a mulher do meu ponto de vista cometeu um crime grave, aborto, palavra de origem latina, “abortus”, de ab, privação, e “ortus”, nascimento, davam o sentido de um crime doloso que todo advogado da acusação aprecia, aquela mulher sem coração, sem nenhum sentimento privou um ser humano de vir ao mundo por sua livre vontade e deveria ser punida pelo crime praticado.

 Quando o aborto é acidental não configura um crime, uma gestante pode sofrer uma queda e como conseqüência disso, abortar.  Mas o aborto voluntário com a intenção de se livrar do fruto da concepção é o que transforma o ato em ato criminoso.

 Fiz todo esforço perante a classe, e diante do professor na sala de aula, expus a mulher como um ser impiedoso merecedor de castigo. Foi então que, o professor  levantou-se e falou em alta voz:  “Pedi um advogado e não um promotor”. A classe caiu na gargalhada e cessou o meu discurso.

 De fato, quando olhamos para uma falta, nunca pensamos no faltoso como um ser humano que necessita de ajuda. Muitas mulheres ficam deprimidas especialmente em caso de estupro e outras violências.  Todo caso deve ser bem examinado. Talvez ela tenha perdido a razão por uns segundos, errou, praticou um crime, mas como um advogado teórico, eu poderia ter considerado a sua insanidade mental momentânea que lhe viria abrandar o ato e descaracterizar em parte o crime de aborto como crime doloso, e quem sabe oferecer ajuda àquela mulher abandonada ao seu instinto menos nobre.

Como discípulo de Cristo Jesus, somos por convicção contra o aborto, há quem defenda o aborto até mesmo um grande e poderoso líder cristão-evangélico se assim podemos dizer, diz ele em suas considerações, ser favorável ao aborto, o partido que ele apóia também é a favor, lembrando que, o candidato Eduardo Campos é contra.

A imagem de uma mulher caminhando em direção ao lixo para lá depositar o fruto de seu ato criminoso levou-me a esquecer a defesa e procurar a sua condenação. Como ela poderia fazer isso? Como uma mãe pode cometer tal falta? Onde estava o respeito, a humanidade? Enfim ela deveria ser condenada e punida.

No entanto a função do advogado é defender o seu cliente.  Mas vamos criar um paralelo. Quando estamos aconselhando um irmão faltoso ou entramos como conselheiro no meio de uma rixa é preciso ouvir os dois lados, já que somos falhos por natureza é de bom alvitre ouvir  com atenção para só depois aconselhar de tal forma que a verdade, e a justiça prevaleçam acima de tudo.

Quem aconselha nunca o faz “ex cathedra” isto é, de cima, mas o faz de entre os litigantes como quem procura o sumo, as inclinações da alma o bem, e as fraquezas inerentes ao ser humano.

 O caminho da paz surge depois do aconselhamento, concluído com uma oração, pois o Espírito Santo é o Conselheiro no aconselhamento.

 

Bispo Primaz I. F. Barreto.

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