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Publicado por em out 11, 2013 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

Poder

Poder

“Tudo posso naquele que me fortalece”

Vamos começar com um exemplo comum entre os policiais de todo o mundo, mesmo nos países tido como de primeiro mundo.
Recentemente um policial em Los Angeles agiu de uma forma tão violenta que quase matou uma senhora de 47 anos que estava sendo interrogada por dirigir embriagada, “Um homem que faz isso com alguém que claramente não apresenta nenhuma ameaça para ele pode ser perigoso, principalmente diante do tipo de poder que ele tem”, disse o advogado da mulher, Torry Hamilton.


A origem do poder ninguém sabe determinar, de onde nasce essa palavra. Onde ela aparece pela primeira vez? Um lugar apropriado para buscar os primeiros movimentos, as primeiras causas, e até a palavra, poder é no livro de Gênesis.
A ação de Deus no Gênesis é total, e Ele passa a ser conhecido como, “Todo Poderoso”, a teologia deu a esse fenômeno o nome de, Onipotência, mas o poder quando passa para o homem, passa com restrição, “Comerás livremente o fruto de qualquer espécie de árvore que está no jardim” Essa foi a liberdade; o poder fazer o que quer, teoricamente parecia ser isso, mas o poder foi em seguida restrito, “contudo, não comerás  da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em dela comeres, com toda certeza morrerás” (Gn 2.16-17).
A história do homem começa podendo tudo e depois vem a restrição com uma ameaça desconhecida, nunca ninguém havia morrido, desaparecido da terra sem nunca mais ser visto, esse era um poder que o homem não conhecia.
Poder, vem do latim, “põtêre” (por posse), “ter a faculdade de”,” ter possibilidade de”, isto é capacidade de escolher e possibilidade de fazer, conquistar, ter e dispor.
Na Rússia criou-se uma expressão para  demonstrar o poder de destruição, “pogrom”, um movimento popular de violência contra os judeus, o povo se organizava voluntariamente, bastava uma simples denúncia, uma fofoca e a turba avançava com poder sobre os judeus, foi essa perseguição que forçou a emigração dos pais de Clarice Lispector para Recife. Um mal produziu um bem.
Por volta do século XIII surge, o “apoderado”, quando alguém se apoderava de bens, senhoreava-se de algo, até mesmo de um sentimento, o ser humano pode deixar-se possuir por uma grande vontade, admiração, desejo, e até de uma saudade, e tornar-se melancólico.  Senhorear-se  é um movimento subjetivo do poder é também sua nascente na alma humana. Pode estar aqui a origem de tanto distúrbio pessoal e do mal que fazemos ao nosso próximo. O pecado em geral.
Poder absoluto.
Anselmo viu na teoria do poder, a possibilidade de demonstrar a existência de Deus, como o poder absoluto, ” Analogamente ele tenta mostrar que toda grandeza pressupõe uma grandeza absoluta e que todo ente pressupõe um ente absoluto, que deve ser concebido como Deus”.
No começo da história humana a inclusão do poder, “faculdade e possibilidade” entre o homem e as cosias, foi ao mesmo tempo o nascimento da angústia, todo teólogo explica tudo, mas sempre fica aquela aporia: Se o homem escolhesse comer da árvore da vida? Viveria eternamente numa vida absolutamente abundante, tendo a imortalidade como integrante da sua natureza?  Esse raciocínio nunca será concluído. O homem podia escolher se alimentar da imortalidade, mas escolheu errado, pecou. E tudo caiu, ele e o cosmo, e o poder incluso ficou torto na mente humana, agora para conviver com o poder ele precisa de uma metanóia.
O Homem errou o alvo. A história da humanidade começa com um passo errado em direção do proibido, e esse passo transforma o poder em “não poder”.
Contudo o homem segue o seu caminho e o poder é a alavanca que faz tudo se multiplicar, o bem e o mal tudo em expansão sem detença alguma, o homem avança na história através do poder que ficou para sempre manchado pelo erro.
O domínio dos fortes vem pelo uso do poder, houve tempo na história moderna que o poder estava com os capitalistas, depois com os socialistas radicais, os comunistas, depois recentemente volta de novo para as mãos do capitalista e parece querer permanecer assim.
Foucault admitia que o poder estava em cada um, não apenas nos capitalistas, e é constituído por um conjunto de relações de forças localmente difundidos, segue-se que a resistência a ele está em toda parte (não somente no proletariado), porquanto se identifica com o elemento “plebeu” presente  em cada indivíduo ou grupo”. É sempre um poder que tem diante de si o poder, um de agir o outro de resistir.
A inclusão central e mais importante no começo da história é o poder, nos primeiros capítulos de Gênesis o poder é colocado na questão do conhecimento do bem e do mal que conduz o conflito com Deus e o conflito com os homens entre si, até hoje.
O livro de Êxodos lança o tema do poder extraordinário, “overwhelming power”  uma qualidade de poder, conhecido como, “grande ou extremo poder”. Nessa história de libertação Deus vence os homens poderosos, exércitos e mágicos.
Bem, para não ficar muito longo, vamos ao encontro da Teologia de Paulo, ele conviveu com os cristãos do primeiro século e logo percebeu que o poder fazia parte da vida cristã, mas esse poder tinha que ser moderado por um poder maior, ninguém detinha consigo mesmo o poder para tudo o que quisesse fazer.  Esse poder teria que ser controlado, é assim que ele se dirige a Timóteo, ” Deus nos deu espírito de poder e moderação”, Paulo exerceu poder sobre um mágico, o homem ficou cego por um tempo como consequência de uma palavra de ordem: “Para que saibas que a mão do Senhor é contra ti, ficarás cego a partir de agora, e não verás a luz do sol por algum tempo” (Atos 13.11) O homem ficou cego mesmo, tateando foi para a sua casa, “meditar”.
Mas algumas lutas não se conseguia resolver, não havia poder que resolvesse, então Paulo criou a frase teológica que os crentes amam: “Tudo posso naquele que me fortalece”.
E pensam alguns que podem tudo mesmo, mas não pode. Não pode por exemplo evitar a perseguição, ou o sofrimento, nem mesmo as tentações, aqui reside a grande questão e a origem “ad infinitum” de livros de auto-ajuda.
Tudo bem, o resto dessa meditação será tema da próxima pregação agora nesse segundo domingo do mês de Outubro.

Até lá.
Bispo Primaz: Inaldo F Barreto

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