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Publicado por em jan 10, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Igrejas, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

PLUS

PLUS

APOLOGÉTICA X

Estudo complementar ref. Primeira Santa Ceia Regional de 2016

Imr-Sede, Rua Rio de Janeiro, 235 Ribeirão Preto-SP

Você já deve ter visto esta palavra em muitos lugares, “Mais roupas”, “Mais divertimento” “Plus play”, é um sinal de adição, de algo a mais. Essa palavra pode ser encontrada em todo o Novo Testamento, sempre como sentido de: Mais, μαλλον ( Mallon) aquilo que vai progredindo “de mais em mais”, demasiado, excessivamente.

Usá-se “mallon” para dizer algo da melhor forma. A origem é um advérbio, “mala” μαλα, que significa, muito, de grande maneira, μάλα καιρός de grande ocasião. Alguém “mala” é aquela pessoa implicante demais. “Plus” foi a palavra encontrada para traduzir : μαλλον η; note o “eta” (η) numa comparação equivale a “que”, portanto, μαλλον η,”mais do que”. Paulo escreveu para Timóteo a segunda carta onde você poderá achar esse verso: “mais amantes dos prazeres do que de Deus”. No capítulo terceiro aparece como você leu anteriormente, a palavra “prazeres”. ηδονη, também temos o substantivo neutro, ηδος, (edos) prazer, encanto. Paulo usou o substantivo feminino, ηδονη (edoné), a pronúncia é com “e” fechado, “ê”.

Noutras praias ηδονη, é todo tipo ou forma de emoção. Os filósofos usavam essa palavra como indicadora de uma satisfação temporária, já a felicidade seria um sentimento duradouro ou completo. Aristóteles definia o prazer como um hábito natural, e podia ser sensivel ou não, portanto para Atistóteles não significava apenas sexo, já que prazer poderia ser algo não sensível. Descartes falava da “emoção prazerosa da alma”, como ele era muito ligado aos sentimentos do corpo e que tudo residia no cérebro, o prazer seria tudo de bom, aquela fruição do cérebro que parece ser seu, você se sentindo feliz com algo exterior, Espinosa já dizia que se tratava da paixão, graças à qual a mente se eleva a uma perfeição maior. Digamos quem nem sempre é assim, Hitler tinha uma paixão em assassinar judeus, sentia-se bem, mas era uma coisa malígna.

Alguns filósofos ligava o prazer ao corpo outros à alma ou ao coração, Hobbes ligava ao corpo, e parece que Paulo estava dizendo isso, a transmissão de algo sensorial ao coração, portanto dá para perceber que se tratava de sexo ou bebida, ou glutonaria, Nietzsche ligava o prazer ao poder, “O prazer é a sensação de maior poder. Todas essas referências falam do prazer de forma ativa. Foi assim que Paulo usou. Imagine Paulo em Nova York! ou em Paris….

Mas houve quem dissesse que o Prazer é a ausência da dor, Shopenhauer ensinava que esse era o prazer, e só acontecia depois da dor, era como uma lembrança, a dor se foi e então a pessoa sente um prazer, uma alegria por estar livre da dor. Isso é prazer para Shopenhauer. E de fato quando você se recupera de uma enfermidade qualquer sente o prazer da ausência da dor. É um prazer.

A psisquiatria com Freud conduz o prazer como um principio da mente que dirige a atividade psíquica para longe da dor. Outro principio seria o da realidade em que o prazer não viria pela via mais curta, mas de forma demorada, o prazer seria condicionado pelo mundo externo. O consumismo é assim.

Os pensadores modernos falam de uma “Felicidade Paradoxal”, ou de “Uma Era do Vazio” de um consumismo e de um individualismo. O prazer de um equipamento novo é sempre condicionado ao último modelo, “uma das características importantes dos bens de consumo em nossas sociedades é que eles mudam e que nós os trocamos indefinidamente, não cessando a oferta de inovar, de propor novos produtos e serviços”. Como dizia Freud,

“A condição do prazer é sempre o novo”. O celular tem que ser sempre o último modelo, assim diz a propaganda, mas você não precisa acreditar.

O vazio da alma em nosso tempo disse Gilles Lipovetsky, é que o homem moderno é indiferente e não se apega a nada, não tem certeza absoluta, adapta-se a tudo, suas opiniões são suscetíveis a modificações rápidas”.

Nesse sentido o vazio alcança até a vida sexual, “Ao lado da inflação erótica atual e da pornografia, uma espécie de denúncia unânime reconcilia as feministas, os moralistas e os estetas, escandalizados pelo aviltamento do ser humano reduzido ao estado de objeto, e pela máquina sexual que faz desaparecer os relacionamentos de sedução em um deboche repetitivo e sem mistério”. Gilles Lipovetski muito depois de Paulo iria mostrar que os tempos difíceis é o que vivemos hoje. O vazio da alma se revela hoje pela indiferença e o narcisismo.

O ” self”, é uma perfeita caracterização do vazio.

Agora voltemos ao texto. O que Paulo imaginava quando escreveu esse verso nessa segunda carta? Primeiro ele tinha na mente a Parousia, a segunda vinda era iminente, e todos seguiam esse pensamento, a conversa “ao pé de ouvido”, era: ” -O Senhor está preste a voltar”. Por isso que os cristãos buscavam uma vida restrita, e as exortações eram firmes porque o dia estava muito próximo. Paulo chegou a dizer, “nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos”.

Viver uma esperança assim leva a pensar que os “prazeres” tirariam esse “feeling” de uma vida santificada. Melhor então, não casar, e quem fosse casado vivesse como se não fosse.

Os últimos dias no primeiro século “Acharit Hayamim” foi o período mais deslumbrante da Igreja, eles viviam nessa expectativa e os prazeres foram combatidos com muita ousadia, no geral a Igreja estava determinada a encontrar um grau muito elevado de santificação.

Com o tempo ficaram decepcionados e reclamaram e Pedro consertou tudo dizendo: “Mil anos é como um dia, e um dia como mil anos”. Depois disso ninguém deveria marcar mas data alguma, mas os Testemunhas de Jeová afirmam que Jesus voltou à terra em 1914, e nem eles viram.

O texto na Bíblia na Linguagem de Hoje: “Lembre-se disto: nos últimos dias haverá tempos difíceis” (2ª Timóteo 3.1). Esse tempo já havia chegado, os gnósticos apresentavam um evangelho diferente, alguns estoicos insistiam que o melhor a fazer era se ausentar desse mundo, e não sentir nem prazer nem dor.

A indiferença para com o mundo sensível foi cultivada e muitos cristãos eram estoicos, a melhor versão do estoicismo na Idade Média é a ordem dos Monges, eles se escondiam do mundo, mas não era suficiente o mundo entrava também nos conventos, nos mosteiros e muitas crianças nasceram, e por lá desapareceram.

A Reforma Protestante também lidou com essa questão, alguns achavam que havia chegado o “Acharit Hayamim” que a Besta já havia se manifestado, o Anticristo estava em cena e que logo viria o fim. Depois se descobre que a Besta não estava de fato em Roma e que as locuras faziam parte do homem e que esse ainda não conhecia a si mesmo.

O tempo de Lutero era como um “Acharit Hayamim”, (últimos tempos), o feeling naquele período foi muito intenso, Lutero viveu uma experiência muito forte, mas o tempo do fim ainda não havia chegado.

O prazer nunca deixou de ser buscado. Na Reforma Lutero escreveu: “Já que o homem interior está unido a Deus, ” fröhlich und lustig” feliz e alegre, por Cristo que tanto fez por ele, “und besteht alle seine Lust darin” e seu maior prazer consiste em servir desinteressadamente a Deus com um amor voluntário”. Prazer no texto de Lutero é: “Lust” é desejo, interesse, deleite, De “Lust” prazer, temos “Lustern” lascívia e ganância, ambição, avidez. Lutero casou-se com Caterina de Bora e teve seis filhos, ele não tinha intenção de se casar, mas seu pai queria ser avô.

O prazer espiritual é uma coisa subjetiva, uma experiência que pode ser chamada de carismática, já o prazer sensível pode ser Lust ou Lustern é do corpo ou da matéria.

Na carta a Timóteo com certeza Paulo queria dizer, do “Lustern”, na tradução alemã do Novo Testamento, Vergnuegen é prazer, que também é “lazer”, “Vergnuegen” é mais leve do que Lust”.

Vergnjuegen, é prazer, deleite, recreação, tudo muito simples, puro, como uma contemplação, uma meditação prazerosa que podemos ter lendo um Salmo ou o Novo Testamento.

A grande dificuldade era se afastar do prazer a ponto de se transformar num estoico ou se entregar ao prazer e ser hedonista. Nesse ambiente nasce a teologia da guerra entre o corpo e o espírito, o corpo pede prazer, o espírito a renúncia.

O contexto do primeiro século é de renúncia e a liderança da Igreja luta com todas as forças para estabelecer o padrão. Conseguem alcançar esse padrão? Em parte conseguem, mas a luta continua com Constantino a Igreja começa a pensar, a introduzir Teologia, debates, mas a rigidez com relação ao prazer e ao sexo continua exigente, dessa abstinência nasce o celibato e os grandes problemas que temos hoje com essa doutrina.

O celibato nega o prazer e o prazer segue oculto e crianças nasceram fruto do prazer em muitos conventos e monastérios.Erasmus de Rotterdam é filho de um padre e líder intelectual pacifista da Reforma Protestante, o mais lúcido o mais pacificador.

A Igreja do século XXI tem a mesma luta, e interpreta o prazer como algo sensível, traduz Epícuro como o filósofo do prazer, mas ele falava do prazer na leitura e não do sexo. Ele falava do prazer de refletir. Epicuro pregava a Ataraxia um estado de felicidade, um êxtase, uma indiferença ao sensivel, ao sensual. Ele ensinava a fuga de todos os excesso que perturbam o homem e o levam ao desespero.

Os acusadores falavam de “escola noturna”, de um “jardim da devassidão”, assim dizia Timócrates irmão de Metrodoro. E assim veio até hoje a ideia de que Epícuro ensinava o prazer sensual. Para Epícuro o fim de tudo é o homem e o bem estar do homem, e a ataraxia um caminho para a liberdade.

Mas, voltando ao primeiro século temos que contextualizar e pensar o que era para eles o “prazer” ηδονη (edonê) e o que singificava para a Igreja de então e o que significa para nós hoje.

Quando se fala em prazer o que vem à mente em nosso tempo é o sexo, mas nem sempre é assim, e o prazer envolve quase tudo na vida, até viver é prazer, não tem como se livrar disso. Entretanto sabemos que a Igreja hoje tem dificuldade de disciplinar o sexo seja antes do casamento ou a abstinência para

depois do casamento, em alguns casos em que Paulo recomendava para o homem e a mulher se dedicar à oração, (1ª Co 7.5). Para a liderança da Igreja sexo só depois do casamento, mas ninguém sabe como vivia a maioria.

O clima do primeiro século era de um advento muito próximo, e o “sensível” poderia distrair o crente. Quem iria se casar às vésperas do advento? A rigor ninguém, mas a demora levava a pessoa a imaginar que a vida poderia ser vivida e o casamento proporcionava o prazer. Comprar um campo, uma fazenda criar filhos, constituir família. Um prazer.

Agora contextualizando com os nossos dias, temos uma luta bem maior, todo meio de comunicação banaliza o sexo, que é tido hoje como algo que faz parte do cotidiano. Na Rússia com o comunismo o sexo vira “copo d´agua”. Tem sede beba. O PT no Brasil tem a mesma filosofia.

Mesmo na Igreja existe sexo antes do casamento, uma pesquisa já mostrou que existe e é de difícil controle. Ninguém faz isso à vista de alguém. O grande problema é o namoro longo e a desistência do namoro, onde a pessoa deixa a outra que já foi para a cama e começa com outra o mesmo tipo de namoro, então o círculo aumenta.

Pode acontecer de se criar um ambiente onde muitos andaram com muitos. É preciso pregar sobre isso.

Para conhecer o outro pode-se caminhar por muitos caminhos sem necessariamente ser com o sexo, melhor para o jovem e a jovem se abster até o dia do casamento. A revista Eclésia publicou um artigo onde aponta que, 52% dos crentes transam antes do casamento isso para gente que nasceu na Igreja. Se for considerado os que vieram na adolescência o índice é ainda maior. Essa estatística foi feita no período entre 1994-2000.

Então no primeiro século não era tão difícil controlar, a filha era dada em casamento e muitas vezes a um velho rico, esse era o costume daquela época.

As mulheres amargavam ficar a vida toda com quem nunca amou, simplesmente para cumprir a agenda social e um dever religioso de procriar. Nesse particular a mulher hoje tem mais liberdade não é obrigada a se casar contra a sua vontade.

A questão do hormônio não respeita nenhuma denominação, pode ser pentecostal, tradicional, calvinista, ou do livre arbítrio, a atração sexual não tem doutrina que segure, isso vem da educação dada em casa e na Igreja; ainda assim, na hora H muitos nem se lembram disso, aparecem depois com o problema, à vezes com uma gravidez que se tenta corrigir com um casamento rápido.

Uma criança educada na Rede Estadual de ensino terá muito mais dificuldade nessa área, então a Igreja deve se esforçar para conduzir a mocidade, mas todos sabemos que não é fácil. E para dificultar temos o casamento entre pessoa do mesmo sexo e até igrejas Gays.

Comparando os tempos, o tempo de Paulo era bem mais fácil de controlar as filhas, já que quando se fala em pureza sexual pesa mais para a mulher do que para o homem. No tempo de Paulo o casamento se dava de uma forma, “A filha era dada em casamento”. Ninguém aceita mais essa tradição.

O prazer afinal não é somente pelo sexo, temos hoje uma indústria do prazer, e no geral são muitos que “amam mais os prazeres do que a Deus”. A pessoa passa a semana toda correndo atrás das coisas para si

mesmo, ou como se dizia antigamente correndo em busca das coisas do mundo. Antes o versículo “Quem ama as coisas do mundo, esse tal não é dele” era uma regra; hoje ninguém sabe mais como aplicar esse ensino. Por que?

Porque ninguém mais está fora do mundo e todos de alguma forma ama o mundo e as coisas que estão no mundo. Todo mundo ama uma geladeira em casa, todo sistema de conduzir uma boa cozinha bem equipada; um bom passeio, praias, cerveja gelada, (alguns bebem) futebol, e todo tipo de entretenimento.

Mas se a Igreja soubesse que o Advento seria daqui a trinta dias, não valeria a pena o casamento, nem mesmo trabalhar, e não haveria entretenimento que entretesse.

O clima mudaria de uma hora para outra. Muitas igrejas conseguiram um padrão de santidade com essa pregação, “Cristo vem!” e marcavam datas, profecais foram construídas, Israel era o relógio de Deus, que não passaria essa geração (de 1940), etc. Isso tudo ficou para trás e não temos uma teologia confiável. Bem, para mim a escatologia perene se encontra no Evangelho.

“Quando o Sol escurecer e a lua não der a sua claridade”, mas não falo de eclipse de duas horas. Quando isso acontecer será definitivo….não voltará a brilhar, será chamada a “Noite Fria” que a ciência fala com propriedade.

Com as desilusões proféticas, datas marcadas, não cumprimento, Shemitah, número da Besta e outros detalhes, deixou o povo do mesmo modo que ficou no fim do primeiro século, desapontado. O povo ficou sem esperança e tudo foi adiado. Quando Costantino aderiu à fé cristã muitos acharam que seria o começo do Reino de Deus na terra. Não foi. Escatologia é uma matéria para ser ajustada.

Gilbert Keith Chesterton diz que, “Todo mundo usa a linguagem cienfítica do fatalismo; diz que tudo é como sempre deve ter sido”. O mundo hoje não quer responsabilidade é tudo nas costas de Adão o progenitor da herança imutável. O homem moderno vive sua vida sem se importar com os fatos, ele faz o que estava programado a fazer. Gostamos muito de Calvino porque ele nos livra da culpa, é o bode certo para as horas incertas.

Então, “plus” o mais indica uma temperança, o texto demonstra que todos amam os prazeres, e se não for assim iremos para o estoicismo, ou para escola de Epícuro praticar a Ataraxia, existe até alguns que tentam viver assim. O prazer é a vida, mas existem alguns critérios em relação a isso.

Por que “Plus” indica uma temperança? Por que ele é colocado na frase como, “aimant le plaisir plus que Dieu” (amante dos prazeres mais do que de Deus”, então ama mais do que, devia amar menos do que, amar menos os prazeres e amar mais a Deus, isso é moderação, e ainda assim com critério.

Em mundo pleno de bens, de entretenimento, de prais e futebol, o cristão não consegue ser “santo” no mesmo padrão do primeiro século, mas ainda assim deve ser santo. Ele pode ir no campo e não xingar palavrão não se deixar levar totalmente pelo entusiasmo, na política não deve se envolver com ateus confessos que desejam dominar o país, no bar beber com moderação, não gritar, quem se embriga não tem domínio próprio e termina pecando, no vestir a jovem não deve mostrar o corpo chamando a atenção para o seu corpo, o jovem da mesma forma deve se vestir com decência, na fala evitar palavra torpe, os abraços e beijos devem ser dados com cuidado. Imagine no primeiro século se não houve alguns desvios de conduta? Teve caso até de alguém que foi para a cama com a madrasta.

Então viver é prazeroso Timóteo vivia numa sociedade que cultivava o prazer, os gregos e os romanos e todos os outros buscavam o prazer. Agora na Igreja tinham que procurar equilibrar esse assunto, a moderação deveria governar toda a vontade, e o amor a Deus sendo mais intenso do que o amor ao prazer o equilíbrio estava mantido. Será que eles iam a espetáculo? Tertuliano exortou aos cristãos a não irem nos espetáculos, geralmente violentos. e não recomendava o serviço militar.

Nas execuções de hereges muitos eram convidados como se fosse para ir a um circo, esse era um entretenimento oferecido ao povo desde a Idade Média.

No primeiro século eles tinham alguns prazeres, não sabemos onde o povo ia se divertir, mesmo assim alguns prazeres tinham. Mas o sexo eram restrito ao casamento e esse é o desafio que temos até hoje.

Plus: É como consta na versão La Sainte Bible, NIV coloca “lover” (amante) Die Bibel, Vergnügen, deleite, prazer, na Bíblia de Jerusalém, “mais amigos dos prazeres do que de Deus”.

Conclusão: Somos desafiados a viver no mundo amando mais a Deus do que o mundo.

Fim.

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