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Publicado por em out 12, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

O SERVO DECEPCIONADO

O SERVO DECEPCIONADO

 

“By listening at the door”

Jane Austen

“Mas,  se aquele servo disser consigo mesmo: Meu Senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se” (Lucas 12.45).

Quando você espera que a figueira floresça e dê fruto e nada acontece, você pode ficar decepcionado ou, então, olhar para o alto e continuar a caminhada.

I –  Ainda que,

Assim Habacuque começa a sua oração, כּי,  (Ki)é uma  partícula primtiiva  proposicional, isto é, vai indicar uma opção, uma decisão; vai determinar uma ação, deliberada. Ainda que não seja como espero que seja, ainda assim, continuarei na caminhada. Quem já não teve que pensar assim? A vida espiritual é uma constante proposição, assumida, definitivamente resolvida quando sabemos que Jesus é o Caminho a Verdade e a Vida.

Mas alguns pensam diferente. Um amigo desistiu de tudo porque  “a figueira não floresceu”, mas ele nunca regou a figueira com água fresca, sempre entusiasmado, mas com pouca razoabilidade regava a planta. Falava com muita bravura, mas se comportava como um embriagado pelas dificuldades   que ele mesmo criara. Por ser muito independente se tornou dependente.

A decepção é a causa de muito fracasso, ela mesma ainda não é o fracasso, ela é o começo do fracaso, a decepção acontece quando o servo se sente enganado, alguns pastores se desviam por completo porque acreditam que se iludiu com os Céus, que as promessas não eram coisas reais, que o sucesso não é fato, e que tudo é uma mera ilusão.

Quando Cícero ver-se desafiado diante do valor da alma e do corpo, ele prontamente faz a sua opção pela alma, “e fica certo de que não és tu e sim teu corpo que está sujeito à morte. Tu não és aquele que apareces pela tua forma exterior, não és o aspecto que se aponta com o dedo, mas és  tua alma. Ela é tua identidade”. O servo não pode perder a sua identidade de servo, ela é a sua DNA, não pode ser apagada, não pode ser desfeita nem ser transformada no terror que afasta até os seus mais íntimos amgios, que afasta  até a si mesmo dividindo a sua alma.

Para Cícero כּי,  (Ki), Ainda que tudo ficasse perdido, uma coisa era certa, “só a virtude se eleva até a verdadeira glória”.

A decepção só pode ser vencida se o olhar se desviar para o alto, “Se queres levantar teu olhar para o alto e contemplar esta sede da vida imortal, então não dês ouvidos aos discursos vulgares nem ponhas  tuas esperanças em recompensas terrenas”.

Muitos teólogos leram Cicero, Santo Agostinho e muitos outros na Idade Média, depois nas Universidades todas, muitos teólogos leram.

O pastor é servo e deve se comportar com o tal, ele deve ser exemplo de paciência. O personagem do texto, não conseguiu digerir as circunstâncias da vida, ele fazia tudo pelo medo que lhe imprimia na mente a segunda vinda. Vivia assustado, falava e cantava: “Cristo está voltando”, mas era um mero grito, um som indefinido.

Como o perfeito amor afasta o medo, o medo afasta o verdadeiro temor. O temor reverencial não é tenebroso, “meu Senhor tarda em vir”, isto é, não confirmou o tempo, e já não posso trabalhar nessas expectativa tão remota, então vou cuidar de mim. Mas esse cuidado se revelou uma desenfreada  corrida ao Bar da primeira esquina, ele trocou tudo por um copo de cerveja e um bom churrasco, levou consigo filhos e amigos, começou a zombar das verdades que antes acreditava, a vida futura desapareceu da sua mente, a sua fé se resumia em “comer, beber e embriagar-se”.

II – Quando as coisas vão muito mal

Em 1910, Gilbert Keith Chesterton olhou para a desagregação do povo inglês e escreveu:

“Em  nossa época, despontou uma fantasia singularíssima: a de que, quando as coisas vão muito mal, precisamos de um homem prático. Seria bastante mais verdadeiro dizer que, quando as coisas vão muito mal, precisamos de um teórico. Um homem prático é alguém acostumado à mera prática cotidiana, à a maneira como as coisas  funcionam normalmente. Quando as coisas não estão funcionando, precisamos do pensador, do homem com uma doutrina que explica por que elas não estão funcionando. Enquanto Roma arde em chamas, é errado tocar violino, mas é correto estudar teoria hidráulica”.

O homem decepcionado que perdeu a visão da Segunda Vinda e por isso perdeu também a dignidade a rigor não amava o seu Senhor, era infiel de coração, tinha em si mesmo uma infidelidade enraizada, nunca fora fiel, nem sabia o que era isso. Ele falava da segunda vinda porque era moda, era comum, todo mundo estava falando, então ele também resolver falar.

Assim acontece com os desanimados, os decepcionados, os que não conseguem enxergar além da figueira que não floresceu.

A preocupação do servo foi em apenas satisfazer os desejos mais primitivos, “comer e beber”, é assim até hoje, os que se afastam das suas obrigações não irão de forma alguma buscar ser mais piedoso, pelo contrário o Shopping será o templo e as vitrines os altares, as marcas os íncones sagrados. O servo embriagado não deixa de ser humano e como tal irá se prostrar diante das festas; descontente e decepcionado irá espancar os servos e servas.

Esse espancamento é profundo porque é espiritual, o servo decepcionado afetará as almas de seus conservos, deixará marca nos filhos e nos amigos, será sujeito e objeto de escândalos, não aqueles escândalos comuns que aparecem nas revistas e jornais, pelo contráio será um tipo de escândalo que ficará invisivel para a maioria das pessoas. É um escândalo construído aos fins de semanas, nas chácaras, nos bares nos shopping.

O servo decepcionado fala consigo mesmo, vive um monológo, ele não procurou ninguém para se aconselhar, resolveu consigo mesmo a mudar a rota. Abandonou o púlpito e começou a “nova vida”, aquela velha e capenga cantilena: “alma come bebe e arregala-te”.

Algumas vezes o servo decepcionado imagina que o lugar onde está onde tem toda liberdade não lhe permite crescer, mas ele não pega no cabo do arado, e resolve fugir, nessa tentativa a tentação é maior do que a visão, então, ele fica olhando para trás.

A fuga de si mesmo é o mais traumático,  porque ele começa a fugir para lugar nenhum, foge dos amigos, amaldiçoa o passado, destrói o presente, o apetite se agiganta, ele só pensa em comer e beber. O texto sem dúvida fala de toda sorte de desvio que alcança o decepcionado, “comer, beber e embriagar-se” esconde nas entrelinhas os vícios mais destruidores da pessoa humana, as drogas, as noites passadas nos  “rendez-vous” .

Esse servo é primo do Filho Pródigo, só que este se arrependeu e aquele continuou a gastar tudo o que tinha e ainda espancou os seus conservos.

O servo espancador precisa ouvir os mais velhos, que lhe apontará a origem dos problemas, e depois um prático para lhe apresentar de novo o Caminho.

As notícias se espalham, ou você ouve na porta, hoje em dia já não precisamos ouvir na porta, até porque o servo decepcionado mostra a sua decepção para todos, não vão ao culto, porque vão dormir na madrugada, depois de toda festa, de toda carne, de satisfeito o estômago, depois de satisfeito  todo apetite. Acordam de ressaca e se preparam para outra. É o espancamento que deixará suas marcas para sempre até que se arrependa.

Levanta-te  e a luz de Cristo te iluminará!

 

 

 

 

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