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Publicado por em dez 19, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

MENSAGEM AOS FORMANDOS

MENSAGEM AOS FORMANDOS

IMRET 2015

Dígnos professores, caríssimos alunos, Senhora diretora, e convidados para esse importante evento.

O texto escolhido para esse momento encontramos no livro de Atos, “Então Filipe correu e ouviu o etíope lendo o pofeta ישעיהו Yesha yahu, “Você entende o que está lendo?” ele perguntou. “Como posso” , ele respondeu a menos que alguém me explique. E ele convidou Filipe para subir e sentar-se com ele. …. (Atos 8.30,31-Bíblia Judaica).

Acredito que possamos afirmar que a grande pergunta formulada pelos teólogos do século XXI deve ser esta: “Você entende o que está lendo?”

Note que Filipe ouviu que ele lia o livro do profeta Isaías: ישעיהו Yesha yahu, cujo significado é, “Deus Salvou”, ou ” Ihaweh Salvou”, e mais corretamente ao judeu cristão, “Yahu Salvou”. Entender o texto e aceitá-lo era como ser salvo. Depois da exegese de Filipe o eunuco queria o batismo.

Examinando o texto na linguagem do Novo Testamento vamos descobrir que essa pergunta está relacionada com o entendimento: προσδραμων δε ο φιλιππος ηκουσεν αυτου αναγινωσκοντος τον προφητην ησαιαν και ειπεν αρα γε γινωσκεις α αναγινωσκεις.

Vamos destacar a pergunta em questão: και ειπεν αρα γε γινωσκεις α αναγινωσκεις “e disse com ansiedade, por certo você entende o que está lendo?”, Filipe tinha certeza de que o mordomo-mor não entendia o que lia, podemos notar que o verbo conhecer, aparece duas vezes, primeiro como γινωσκεις “compreender” e depois como, αναγινωσκεις “está lendo”.

Que importância tem? Conhecer, γινωσκεις, que pode ser traduzido como, conhecer e chegar a conhecer, determinar, etc; chega a ser um termo para muitas heresias dos chamados “gnosticos” (partidários do conhecimento). Depois percebemos que Lucas usa o mesmo verbo acrescentando o prefixo ανα “ana”, que tem o sentido geral de “acima” e em combinações como nesse caso, tem o sentido de ascender, (acima, subir) João 1,51; também funciona como, “volta outra vez” (Lucas 15.24) e especificamente nesse caso, tem o uso intensino de reforçar o conhecimento, ou a busca de conhecimento, ou seja αναγινωσκεις, uma leitura intensiva, um esforço para se chegar a um entendimento. Esse é o primeiro passo para a formação de um líder, ler com o desejo de entender, ler intensamente, e não fazer uma leitura rasa sem a busca do significado contido no texto,porém escondido daqules que não cuidam da leitura como algo importante na vida espiritual. Para a formação de um líder é preciso: Ler, compreender e aplicar, e depois repassar para alguém no grupo de discipulado ou num encontro como esse que hoje celebramos com alegria. Hoje celebramos o conhecimento, a espisteme, a percepção da realidade, foi para isso que os alunos dedicaram dois anos de estudos no Imret.

Em nossos dias essa é a mais importante atividade hermenêutica, “explicar o texto”. Você encontra as pessoas lendo, publicando no Facebook inúmeros textos bíblicos, muitos comentários, e muita coisa extraída de uma leitura rasa sem a compreensão mais profunda do texto. O exegeta deve ficar atento a toda publicação para então, examinando o texto considerar o assunto

O que podemos fazer com um texto que na sua origem e em toda caminhada histórica está pleno de violência? Evidentemente que você não pode aplicar um texto nas mensagens de Jesus, a Igreja tem que aplicar a hermenêutica a fim de expor o texto dentro da ótica de Cristo. Ele é o principio da interpretação dos textos do Antigo Testamento e também do Novo.

A leitura aplicada, aquela leitura que fazemos para entender é que nos conduz ao entendimento. Hoje temos boas ferramentas para compreender um texto, O mordomo-mor era o administrador de toda riqueza da rainha Candace da Etiópia, ele era um prosélito, convertido ao judaísmo e agora estava se convertendo ao cristianismo.

Como Filipe saberia que aquele adminstrador estava se convertendo? Ele apenas perguntou : “Se você crê de todo o coração, você pode”. Muitos manuscritos não incluem essa parte, o que fica ainda mais simplificado.

A salvação pessoal em tese não tem como se explicar, manuscritos que contém essa frase sobre a fé é uma ótima tentativa de explicar, mas muitas traduções não incluiram esse verso explicativo.

O entendimento do eunuco, mordomo-mor foi suficiente. Podemos ouvir alguém dizer que a salvação não consiste em levantar a mão e aceitar a Jesus como Salvador, também não ouvimos alguém dizer qual é a fórmula certa. Qual a situação em que alguém se identifica como salvo?

Pessoalmente cada um tem essa certeza, essa convicção, mas ninguém tem condições de julgar o seu próximo quando ele diz que encontrou em Cristo a Salvação.

A Igreja aos poucos foi instruindo a respeito da salvação, o didaquê foi uma boa tentativa de disciplinar o caminho da Salvação, até nos apócrifos se fala de como encontrar a salvação e como identificar o salvo. Essa preocupação levou os teólogos a uma procura intensa de um meio e por meio de muitas palavras e doutrinas para que o homem fosse salvo e que fosse identificada essa sua salvação, quer fosse nos prosélitos ou nos convertidos de toda sorte.

No fim do primeiro século aparece o Didaché, na introdução já aponta os dois modos: “Há dois modos, um de vida e outro de morte, mas uma grande diferença entre os dois modos. O modo de vida, então, é este: Primeiro, amarás ao Deus que te fez, segundo, ame ao teu vizinho como a ti mesmo, e não faça ao outro o que não queres que seja feito a ti. E destas declarações o ensino é este: Abençoe aquele que te almadiçoam, e ore pelos seus inimigos, e jejue por aqueles que te perseguem, etc.

Nota-se uma teologia simples, é uma derivação do mandamento dado por Jesus como principal. Os dois modos do didaqué já é em si diametralmente opostos,

Evidentemente que uma pessoa após seu batismo não iria continuar adorando outros deuses, ou vivendo uma vida indigna dessa salvação. Impossível um ladrão, ou um devasso qualquer depois de convertido continuar do mesmo modo. Mas ele lutaria contras vários vícios e defeitos inerentes ao ser humano. Todos lutaram e ainda lutam.

E hoje no século XXI o que espanta alguns é que, muitos cristãos vivem livremente sem muita preocupação, isso é bom, se for verdadeira a fé, se a sua confissão é fiel. Se ele tem algum vício, ou se vai num bar com amigos ou se vai ao teatro, ou gosta de esporte, nada disso pode testificar

contra a fé que ele professa. Na história ficou registrado: Quando Moddy encontrou Spurgeon e descobriu que ele fumava charutos, ele ficou um tanto surpreendido e desconcertado. Spurgeon lhe assegurou que nunca tinha exagerado. Perguntou: “E o que você consideraria um exagero?”. Respondeu: “Fumar dois ao mesmo tempo”. É crido que Spurgeon parou de fumar charutos quando a loja de tabaco onde ele os comprova começou a se auto-anunciar como “A Loja Onde Spurgeon Compra Seus Charutos”

Fumar hoje em dia é um vício que a Igreja combate, e até o governo desestimula não por causa do pecado, mas por causa dos gastos que o fumante provoca ao Ministério da Saúde.

Quando o cristão vai a um estáido assistir a uma partida de futebol, será que com isso ele demonstra que não estar salvo? Ninguém pode julgar. Mas se ele vai a esses lugares e se envolve em brigas, xingamento e outros vícios, então é passível de admoestação. Ainda assim ninguém tem muita condição de dizer para ele que não está salvo. E se ele sai aos tapas com a torcida do time adversário? Então ele precisa ouvir seu conselheiro. Ele estar fraco na fé.

O mundo, assim compreendido todas as pessoas que nele vive sem exceção buscava e ainda busca e buscará entretenimento. Se Spurgeon fumava era porque se sentia estressado, o cigarro tira por uns momentos a canseira o enfado, mas provoca muitos males.

Em Roma as pessoas se entretiam ouvindo Vigílio, assistindo lutas de boxe, lutas dos gladiadores, e as execuções públicas. Com a Igreja se tornando a religião oficial do Império Romano começa a luta dentro da igreja para convencer e se possível impedir que os cristãos participem dessas coisas do “mundo”. Avançando no tempo a busca por entretenimento não cessa nem cessará, porque é necessário abrandar o estresse”. Paulo chegou a dizer, “”vou recrear-me convosco” (Rm 15,32). Noutra ocasião ele se recreia no convívio com os irmãos (1ª kCo 16.18) como estamos fazendo agora neste evento. (Formatura do Imret). Paulo Talvez tenha assistido alguma corrida e usou como metáfora para a vida cristã, o atleta, a corrida, e a coroa da vitória.

Mas a Igreja continuou a lutar contra o entretenimento com o temor de que a fé se esvaísse do coração do crente. Na década de 40 até os anos 60 algumas denominações cristãs condenavam a leitura de revistas, ouvir rádio, assistir novelas, filmes, ir a bares, assistir qualquer show, frequentar circo, etc. Em Roma não havia jornal, televisão, radio ou revistas para distrair o povo, as autoridades sabiam que o povo deseja a distração, então chegaram a oferecer o que podiam como se fosse “pão e vinho” para saciar o infnito apetite por distração.

Nos tempos idos o que mais se aproximava do Cinema e do Teatro era a Igreja, até por essa razão ela estava sempre cheia, as pessoas queiram ouvir os sermões, mas isso foi se tornando monótono e o povo da igreja buscava distração noutro lugar, nas festas de casamento, aniversários, mesmo assim com muito recato, distração era uma coisa perigosa.

No mundo moderno, a indústria da propaganda é poderosa, e só tem duas possiblidades, ela pode ser verdadeira ou falsa, mas não previu que no mundo ocidental o desenvolvimento da vasta massa da indústria da comunicação se tornaria nem falsa nem verdadeira, mas irreal e mais ou menos totalmente irrelevante. Em uma palavra ela falhou em levar em conta o quase infinito apetite da humanidade por distração. Muita gente nunca teve a chance de satisfazer plenamente esse apetite por distração, e quando chegou a mídia com toda a sua força, a distração passou ocupar um lugar de

primazia, se aprimora a cada dia, mas não satisfaz o ser humano. É preciso enteder o que significa, “distração”.

Na Igreja, as festas religiosas preenchiam esse vácuo, essa fome por distração.Mas as festas cristãs são raras, os judeus até fazem muito mais festas, para se distrair. No passado as pessoas liam muito. Se você ler os livros de Jane Austen irá perceber que a distração consistia na leitura, jogar baralho, desenhar, caçar, almoços e jantas e danças. Mas havia poucos livros, e o que existia de mais próximo do cinema e do teatro era a igreja, mas aos poucos foi se tornando monótono. As pessoas iam muito à Igreja para se distrair e se cansaram.

Com a chegada da midia a distração aumentou, e sua pontencialidade desafia todos sistemas religiosos. Agora grandes eventos, grandes shows estão abertos para todos. E na igreja muito show gospel trouxe a distração para o povo como algo saudável, entretanto como não existe nada que não possa se possa corromper esses shows tentavam satisfazer o apetite por distração e não focava um compromisso a não ser louvar por louvar, cantar por cantar, enfim se distrair. Por isso Carl Marx chamou a religião de o “ópio do povo”.

Não era muito difícil se afastar do “mundo” no primeiro século, onde a principal diversão era corridas e as lutas dos gladiadores, mas hoje o mundo mudou e em todos os cantos da terra existem lugares para o cristão se entreter, e se ele for sábio até nesses lugares ele dará testemunho da sua fé. Afinal é no mundo que se deve testificar. Suzana Wesley foi num evento que hoje seria o maior absurdo, ela foi assistir a uma execução pública, e lá ficou deprimida e se comprometeu que faria tudo para mudar aquela situação que envergonhava a Inglaterra e a religião, ela não conseguiu, mas foi a mãe de João Wesley que revolucionou a Inglaterra livrando-a da revolução terrorista que aconteceu na França.

Mas é claro que Shows de cantores, apenas como show não testifica nada ou quase nada, quando as reuniões são apenas apresentações, o povo se distrai, mas não se compromete. É apenas um som agradável, não acrescenta muita coisa, é um conhecimento leve de frases entoadas em ritmo envolventes.

Vamos fazer uma leitura acurada dos textos e dos eventos, para então poder alcançar uma espritualidade melhor. Ler, entender e passar adiante o assunto para a formação de uma liderança competente e consciente do que sabe.

Felicidades a todos os leitores e membros da IMR, especialmente nesse momento a todos os formandos, e a todos que fizeram o Curso de Teologia no IMRET, inclusive ao Corpo Docente, e diretoria.

Muito obrigado!

Shalom

Bispo Primaz I.F. Barreto

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