Menu páginas
TwitterRssFacebook
Menu Categorias

Publicado por em dez 22, 2014 em Bispo Inaldo Barreto, Eventos, Notícias | Ninguém comentou

MENSAGEM AOS FORMANDOS IMRET

MENSAGEM AOS FORMANDOS IMRET

Formandos 2014 IMRET

Texto: Atos 8.30

Αρα γε γιγνωσκεις αναγινωσκεις

“Compreendes o que vens lendo?”

Respeitáveis formandos da XIII turma do Imret,digníssima Diretora pastora Verônica Santos Marconi, dignos seminaristas, demais convidados. Esse é um dia especial, o dia da formatura, o dia em que se chega a um ponto que não é o fim, mas o começo.

Os Seminaritas estão hoje satisfeitos, pois terminaram o curso teológico se qualificando para o Ministério da Palavra.

A Teologia, que poderia ser designada, “A história eclesiástica”, já que a rigor ninguém pode “estudar Deus”. Mas já está enraizada na mente de todos como Teologia, basta saber que o seu significado é uma impossibilidade.

Mas a Teologia assim designada a “história da fé” ou “história eclesiástica”, é uma necessidade ao líder, ao pastor, e a todo aquele que pretende conhecer e ensinar na Igreja e debater as questões teológicas do nosso tempo.

A interpretação é um caminho, pois precisamos está sempre nele estudando as formas, as imagens as origens e a história das palavras.

Quem nunca disse: “Esse texto fala comigo”? ou “Essa é uma promessa para mim hoje?” Esse pode ser o primeiro passo para mentir para si mesmo.

O Vice rei do Perú nomeado pelo Rei da Espanha nos passa um pedaço da história do povo primitivo daquele país, Tupac Amaru fez uma interpretação literal das escrituras, para uma aplicação prática na realidade cotidiana.

“Tupac Amaru en su carta compra la suerte de los indios con la del pueblo de Israel”

“Un humilde joven con el palo y la honda, y un pastor rústico por providencia divina, libertaron al infeliz pueblo de Israel del poder de Goliat y Faraón: fue la razón porque las lágrimas de estos pobres cautivos dieron tales voces de compasión, pidiendo justicia al cielo, que no cortos anõs salieron de su martirio y tormento para la tierra de promisión… Mas nosotros, infelices indios, con más suspiros y lágrimas que ellos, en tantos siglos no hemos podido conseguir algún alivio”.

Hay también una alusión a Moisés, Saúl y David y una velada comparción de su persona con los caudillos israelitas:

“Y asi esperando que otro u otros sacudiesen el yugo de este Farón, no habiendo salido alguno a la voz y defensa de todo el Reyno… (Cata a al Obispo moscoso, 3 de enero de 1781)

Por isso a pergunta continua persistindo em nossa direção exigindo uma exegese que possibilite uma resposta adequada.

Compreendes o que vens lendo? Αρα γε γιγνωσκεις αναγινωσκεις?

Essa é a pergunta que o seminarista precisa fazer, e se faz de diversas formas. Será que podemos mentir para nós mesmos na leitura do Livro Sagrado?

Tupac Amaru entendeu o que leu? Ele entendeu sim, sem nenhuma hermenêutica. Quem ensinou para ele foram os invasores espanhóis. O texto sempre fala, as palavras nascem das ideias. O historiador Juan Luis de León Azcárate concluiu em seu estudo que muitos faziam uma interpretação para favorecer os poderosos, o tipo de exegese alegórica por conveniência que levada a seu extremo favorecia os interesses políticos e religioso dos conquistadores da América. Nos Estados Unidos na região Sul os senhores da terra faziam uma hermenêutica a favor da escravidão, citando texto das cartas de Paulo.

Tupac Amaru fez um barco, acreditou que era imbatível, que suportaria toda tempestade, ainda que o exército espanhol fosse tão poderoso e numeroso ele venceria assim como o povo de Israel venceu Faraó e Golias. Se o Senhor se compadeceu das lágrimas dos judeus também se compadeceria muito mais das lágrimas desses pobres índios que são oprimidos pelos poderosos.

Quem se responsabiliza pela mentira proferida a si mesmo? Se alguém entra num barco furado a responsabilidade pelo desastre é do própio capitão do barco. Se o pregador não estuda o texto a mensagem poderá ser um barco à deriva, irá afundar.

O eunuco etíope mordomo-mor de Candace leu e procurava entender, “Foi levado como ovelha para o matadouro, e, como mudo cordeiro diante do que o tosquia”..Não é um texto otimista, é pessimista, ele não tomou para si, criou na mente duas possibilidades: “Fala dele mesmo ou de outro?” Perguntou a Filipe.

Se hoje alguém ler um texto que diz: “Mil cairão à tua direita e dez mil à tua esquerda”. Diz: – É para mim, sou super protegido, mas se ler um texto: “ide portanto, e fazei discípulos”. Ele é tentado a pensar que é para o vizinho da esquerda ou da direita.

Como posso mentir para mim mesmo diante de um texto bíblico? Posso na medida que interpreto literalmente o texto,Tupac Amaru fez isso e povo pereceu. Todavia alguns textos são literais, “Ide e fazei discípulos de todas as etnias”.

Somos o intérprete e a vitima do texto que interpretamos literalmente, vivemos enganados e até enganamos, “Nessa batalha não tereis que pelejar” ( 2ª20.17), tomamos o texto como profecia para nós mesmos, satisfazemos nossa “alma profética” e perdemos a batalha porque ficamos dormindo na rede.

Simom Blackburn conta a história de um homem que não sabia dirigir, mas negava a realidade e fala para si mesmo que sabe. Nesse caso faltou apenas entender o provérbio grego: “Γνώθι σαυτόν”. (Conhece-te a ti mesmo). Naufragou.

Don Quixote viveu enganado imaginando que o moinho de vento era uma máquina de guerra. Se não cuidarmos da hermenêutica faremos as interpretações mais ridículas e saborosas da bíblia

enganando e sendo enganado. É possível atender o apelo que a Bíblia é um livro de regra de fé e pratica que tem conselhos para todas a áreas da vida? isso é possível em parte, alguns conceitos são literais, algumas recomendações também, mas muito dos fatos especialmente do Antigo Testamento não pode ser interpretados de forma literal. Orígenes já advertia sobre esse risco, e que a alegoria fazia parte da hermenêutica. E mesmo a alegoria não pode ser usada em benefício dos poderosos.

Além disso temos as alterações feitas possivelmente por um escriba tardio no texto da 1ª Carta de Paulo aos coríntios.No capítulo 11 ele proibe a mulher de pregar, no capítulo 14 permite. Esses versos 34-35 em três manuscritos gregos e um par de testemunhos Latinos não são encontrados aqui mas depois do verso 40. Há boas razões para se admitir que Paulo não escreveu originalmente esses versos.

Quero também lembrar aos formandos que, entre os hebreus entender é Bin,בּין: bı̂yn, a raiz dessa palavra significa separar mentalmente, o que equivale compreender, participar, considerar, considerar diligentemente, ter eloquência para afirmar com conhecimento de causa, ensinar, ensinar a pensar. Note que a correspondente no Novo Testamento que destacamos no título da mensagem, Αρα γε γιγνωσκεις αναγινωσκεις, literalmente poderia ser traduzida como, “entende o que vem se esforçando por entender?”, pois, o prefixo “ανα” (ana) corresponde a um reforço na palavra, γιγνωσκεις, do verbo, γινώσκω: conhecer, chegar a conhecer, reconhecer. (Griego clásico -Español).

Quando não temos uma exegese adequada, é como trabalhar intelectualmente nos meios sem um fim que dê sentido ao pensamento ligado ao texto que anunciamos.

Conclusão

O preparo da mensagem é um trabalho de primeira ordem, a primeira coisa a se fazer antes de subir no púlpito para pregar é: “Examinar as Escrituras”.

Parabéns aos formandos!

Bispo Primaz, I.F. Barreto

Publicar uma resposta