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Publicado por em set 7, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

ÉTICA E CARISMA

ÉTICA E CARISMA

Efésios 5. 19

Quando se comenta o texto acima como produto da “sujeição de uns aos outros no temor do Senhor”, se elimina a fonte da renovação espiritual, claro que a Carta aos efésios fala do bom relacionamento entre a família, empregados e patrões, ricos e pobres; pessoas educadas e outros que não tiveram a mesma sorte de receber uma boa educação.

Fala da devassidão, da impureza, da avareza que é idolatria (que nega o dízimo e ofertas). Mas sobretudo e além disso, fala de algo da transcendência, “falando entre vós em salmos, e hinos , e cânticos espirituais. cantando e salmodiando ao Senhor em vosso coração” (Efesios 5.19), o que nos leva a pensar que aquelas virtudes são frutos do espírito, e, os cânticos espirituais, fruto da renovação espiritual, essa submissão mútua e voluntária estabelece a atmosfera do Reino de Deus.

Mas temos que considerar o movimento carismático numa dimensão maior que não despreza a ética, mas não se restrige a ela. O trecho de 1 Cor 14,4 mostra-nos que alguns cânticos eram entoados em línguas, por inspiração, isso incomoda muito as pessoas que não admite a contemporaneidade do Espírito, e muitos desses cânticos foram interpretados e preservados no primeiro século.

Quando o louvorzão não produz ética é porque não se trata de um mover do Espírito, não é renovação é uma alegria do momento, sem consequências para a vida prática, portanto não produz ética, nem compromisso com a Igreja. Mas a ética sem a renovação pode ser uma “boa religião”, até pagão tem um bom relacionamento entre si, ateus existem que amam sua família, respeitam empregados, pagam bons salários, falam corretamente, são educados, bons filhos.

Também existem muitos crentes que frequentam a igreja por longo tempo e não buscam ser ser “cheios do Espírito”, preferem uma boa partida de futebol onde se entregam de corpo e alma, se emocionam, bebem, choram, vibram, mas mesmo assm, mantém um bom padrão ético, e, acham que por isso não precisam dos carismas do Espírito, e muitos desses acham que são “cheios do Espírito”. Schopenhauer filósofo alemão compôs excelentes tratados de ética, o argentino José Ingenieros filósofo ateu compôs “As Forças Morais”, Aristóteles, “Ética a Nicômaco”, Blaise Pascal, C.S. Lewis todos foram éticos; Kant trabalhou muito nessa direção, e muitos outros cristãos e não-cristãos produziram muita coisa boa, ensinaram muito em relação ao comportamento, tinham também muitas falhas, mas não eram todos eles “cheios do Espírito”.

Assim, ser cheio do Espirito é uma necessidade para um “bom ethos” e dele deve fazer parte, mas ter uma boa ética não significa ser cheio do Espírito Santo. Alguins tradicionais dão ênfase aos bons costumes apenas para negar a ncessidade dos carismas, ou para sufocar a ideia de renovação espirittual. A renovação de João Wesley era absolutamente equilibrada porque ele apelou para quatro pontos, “A Escritura” a “Tradição” a “Experiência” e a “Razão”.

Para ele a Escritura era a autoridade final em matéria de fé e prática, o líder deve estudar e interpretar cuidadosamente seguindo as raízes da reforma. Ele levou em conta a “doutrina da Igreja, a ordem e a adoração; ele não deixou de fora a “Experiência”, ele acreditava que o Espírito Santo usa a Escritura para nos trazer a fé, e pela graça de Deus nós recebemos a experiência pessoal de fé e salvação.

São muitas as experiência, mas nenhuma delas pode ser normativa, ele dizia que, “a nossa religião é do coração, mas não depende dos nossos sentimentos”, pois o entusiasmo pode prejudicar a experência, muitos se tornam fanáticos e perdem a experiência e abandonam a tradição. Ele também, valorizou a razão, com ela se estabelece as bases da verdadeira religião e socorre na hora de se levantar uma estrutura maior; a razão ajuda a colocar em ordem as evidências da revelação e junto com a tradição nos guarda contra as pobres e fracas interpretações da Escritura, mas a razão não pode provar nem negar a existência de Deus, nada é sem perigo, se o lider ficar apenas com a razão, o perigo é o racionalismo.

A tradição oferece uma imensa riqueza desde a Idade Média, podemos usar os escritos dos primeiros cristãos, os tratados dos pais da Igreja, por isso é importante ler Eusébio, Orígenes, Agostinho, os pais apostólicos, Policarpo e Papias entre outros para a nossa hermenêutica hoje. Ele considerou que era muito importante reverenciar a antiga Igreja assim como a nossa igreja hoje, assim dessa forma se olha para a Igreja Católica antiga, a Anglicana, e os movimentos pentecostais do séculos quinze, dezesseis e dezessete como uma referência histórica de valor, resguardando os exagero pertinentes.

Tudo isso é muito importante para a Igreja renovada do século XXI. Quanto aos cânticos: “falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirtuais, cantando e salmodiando ao Senhor em vossos coração”. Sabemos que ninguém vive assim o dia inteiro, falando um com o outro com salmos, perguntando como vai a família ou como anda o trabalho no Shopping Center, como vai as vendas, e se o salário compensa em tom de salmos e odes espirituais. Se alguém se comportasse assim no trabalho ou andando pela rua seria tido como fanático. Mas se entende como um paradígma para o relacionamento interpessoal.

Quanto à música em geral pode inspirar pensamentos nobres, mas também pode inspirar ideologia partidária, a sensualidade, o romântico e o póetico. Na antiga Grécia a “ωδης”, (odes) fazia parte da religião órfica; quando Orfeu cantava ou tocava a sua lira, os rios mudavam seu curso e as àrvores se moviam de um lugar para outro para ouvir com mais clareza a beleza do som. Na mitologia Orfeu ocupa um lugar de destaque, sua música podia salvar o navegante aventureiro do cântico da sereia; na Grécia a “ode” era entoada aos deuses e aos heróis. A música tem esse poder terapêutico, mas também foi usada para divulgar o comunismo na antiga Rússia Soviética, muitos artistas usaram a música para conduzir o povo a uma ideologia partidária, até no Brasil se fez isso.

Nas Igrejas a música moderna às vezes tem uma expressão sensual por essa razão tem que haver um acompanhamento pastoral para cuidar do assunto, sem proibir mas com acompanhamento, algumas músicas gospel é de tão mau gosto que não serve para nada a não ser se distrair, algumas provocam até mal-estar. Como pensamos a Igreja Metodista Renovada? Ela vem da raiz do metodismo primitivo, com seus cânticos, e êxtases espirituais, mas conservando os pés no chão.

Se esforça para entender e melhorar a sociedade do seu tempo, assim que, não despreza “o bom ethos”, mas não confunde a ética com a renovação pelos motivos que já foram expostos nesse estudo. A ética faz parte da renovação, não querendo dizer que não tenhamos problemas nessa área; o que importa é que temos um alvo, a perfeição. Muitos teólogos conservadores ou petencostais tiveram lá seus vícios uns fumavam cachimbo, outros charutos, alguns bebiam cerveja, outros vinhos, uns eram vegetarianos outros não, uns precisavam beber chá para se livrar das dores de cabeça, uns desfizeram seus casamentos, mulheres abandonaram seus maridos piedosos, e, maridos piedosos terminaram se separando.

Atualmente o divórcio está sendo adotado oficialmente em algumas igrejas evangélicas, então, temos pastores de segunda núpcias, e pastoras casadas pela segunda vez, além disso na política temos os que roubam o erário público, Deputados evangélicos com dinheiro depositado nos paraísos fiscais, e, até aqui mesmo em Ribeirão Preto temos o “mensalão caipira”, e pelo que parece tem gente da igreja evangélica envolvida no esquema, enquanto falta leito nos hospitais os vereadores constroem mansões, tesoureiros dos partidos levam vida de marajás, fazem reformas caríssimas nas construções, porque não tem como declarar a propina na Declaração do Imposto de Renda.

Temos tudo de quase todos os males que existem na sociedade, ainda assim, ser cheio do Espírito é uma necessidade e não se confunde com a conduta moral, ainda que esta seja uma consequência normal do avivamento, não é necessariamente o reflexo de uma vida cheia do Espírito. Temos também aqueles que cantam apenas para se manter e promovem shows de grandes vibrações, muito movimento corporal, mas se trata apenas de show sem compromisso com o discipulado ou com o evangelho; outros entretanto, promovem show com ênfase centrada no evangelismo com letra e música indicando essa opção.

Enfim não existe um ser espiritual perfeito, nem homem nem mulher, ainda que todos busquem e caminhem para a perfeição, somos todos perfeitos e imperfeitos, o cristão é um “ser paradoxal”. Mesmo assim brilha nas trevas. Paulo recomendou que se cantasse ao Senhor no coração, essa parece ser uma recomendação à raiz da espiritualidade dando ao coração um meio para fazer nascer a espiritualidade necessária, é como uma mudança de mente na direção da santificação, quem entoa salmos interiormente no coração tende a conservar a espiritualdiade, ou se manter “cheio do Espírito”, mas tudo isso como ensinou John Wesley com fé e razão.

A experiência de John Wesley ele assim descreveu: “inicialmente com pouca disposição fui a uma reunião na Rua Aldersgate em Londres na sociedade religiosa em Nettleton Court”. Depois de ouvir a leitura da introdução de Lutero à Carta de Paulo aos romanos ele se levantou para testificar o que se passava no seu coração de pelegrino, depois ele escreveu no seu Diário: “Eu senti meu coração estranhamente aquecido. Eu senti que confiava em Cristo, em Cristo somente para a salvação, e foi me dada uma segurança que, Ele livrou-me de meus pecados, e salvou-me da Lei do pecado e da morte”. Wesley insistia que segurança é mais do que sentimento, e que o entusiasmo pode ser “selvagem”, era necessário se resguardar do entusiasmo exagerado.

Ele ensinou sobre o testemunho do Espírito em nosso espírito, que era uma profunda impressão na alma, o poder do Espirito que nos sustenta quando estamos desanimados ou com sentimentos baixos, de perda, de insegurança. com medo. O testemunho do Espírito não estava separado dos frutos do Espírito, essa experiência é mais do que um sentimento, então mudanças seriam esperadas.

Lovett H. Weems Jr, cita Dwight L. Moody: “Não é quão tão alto você grita, nem quão tão alto você pula, mas quão reto você caminha quando nada sente, e, isso é o que conta, isso descreve uma experiência da certeza do amor de Deus e da sua resposta fiel”. O cerne dessa experiência é que, cada um de nós pode experimentar uma segurança de que somos aceitos por Deus. Para alguns essa experiência é logo na conversão, para outros vem gradualmente.

Para todos traz calma e paz que é uma benção de Deus!

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