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Publicado por em jun 19, 2014 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

Corpus Christi

Corpus Christi

Corpus Christi
“O ser humano Jesus de Nazaré é o Cristo”
Paul Tillich
Essa afirmação sobre o Messias é ao mesmo tempo uma afirmação da humanidade e divindade do Verbo que se fez carne e habitou entre nós.


Um dos maiores debates teológicos do primeiro século foi acerca de Cristo como homem real com um corpo físico, eles não discustiam nem buscavam o Cristo histórico, ninguém tinha essa dúvida, lá estava João o ultimo apóstolo para confirmar toda a história. O que se discutia com os herético era, o Corpo de Cristo como algo real e não uma aparência como ensinava o docetismo. Esse assunto foi tão fortemente discutido pela liderança da Igreja no primeiro século que na primeira carta de João logo no início  aparece uma apologia: “Cristo já existia quando o mundo começou. Entretanto eu mesmo o vi com os meus próprios olhos e o o ouvi falar. Eu também toquei nele com as minhas  mãos” ( 1)

No capítulo 4 João enfatiza ainda mais a existência corporal do “Deus-homem”, “Todo ser que confessa realmente que Jesus Cristo tornou-se  verdadeiramente homem com um corpo humano vem de Deus” (2) Cristo Jesus é tanto um evento histórico como o ser divino de recepção pela fé.  Todo argumento gnóstico-docético tem que ser combatido com veemência na Igreja de Cristo, como uma apologia necessária à sobrevivência saudável do cristianismo no século XXI.

Também no primeiro século houve um teólogo que elaborou uma teologia gnóstica, isto é, uma salvação baseada no conhecimento sem a necessidade da fé em Cristo Jesus. Essa doutrina baseada na “gnose” (conhecimento) ameaçou a unidade da Igreja nos dois primeiros séculos da era cristã. era considerado o conhecimento esotérico e  perfeito das coisas divinas, e a salvação não dependia diretamente da graça de Deus, mas do conhecimento intelectual. Depois a sabedoria gnóstica passa a ser considerada uma ontologia não materialista, e uma dimensão invisível do real, algo além do espaço e do tempo, um Deus monista e panteísta.

Resumindo seria; O Logos, a Consciência, a Vida, o Grande Ordenador. A salvação seria simplesmente por mérito humano, conhecimento e  vida ascética. Ensinava Marcion.

A palavra chave é, Δοκέω ( Dokéo), parecer, opinião, ter uma aparência. Na filosofia, aquilo que não correspondia à realidade, mas tinha uma aparência do real. Essa ideia entrou na teologia por volta  do ano 135 até 160. A Igreja católica condenou o gnosticismo como heresia.
Marcion nascido em Sinopse, no Ponto  transferiu-se para Roma por volta do ano 136 e desenvolveu uma teologia gnóstica  particular, mas aos poucos foi crescendo a ideia e se tornou pública. Cristo não teria um corpo real, mas uma aparência, não seria portanto humano, mas somente divino.
Por esse motivo a igreja procurou se estruturar e estabelecer alguns princípios teológicos, por esse tempo foi elaborado o “Credo apostólico” e depois o Canon do Novo Testamento e o fortalecimento da autoridade dos bispos, sucessores dos apóstolos. Uma regra de fé antiga surgiu no tempo de Hipólito ( 170-235 a D):

“Crês  em Deus Pai Todo-Poderoso? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus, que nasceu do Espírito Santo e da Virgem Maria, e foi crucificado sob Pôncio Pilatos, e morreu e, vivo, ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, e subiu aos Céus, e sentou-se à direita do Pai, e há de vir julgar os vivos e os mortos? Crês no Espírito Santo, na Santa Igreja?

No século V. Santo Irineu e Orígenes também escreveram afirmações de fé. O chamado Credo niceno-constantinopolitano será a resposta da Igreja para combater as heresias do quarto século.

O feriado tem duplo significado, para a Igreja Católica  realça a transubstanciação, foi instituída pelo Papa Urbano IV em  de 11 de agosto de 1264. Para os protestantes esse não é o caso, mas a ênfase no Corpo de Cristo, uma reafirmação do Concílio de Niceia.

É também uma referência à presença real de Cristo  na Eucaristia, O Bispo organizador da IMR no Brasil, Reverendo McAlister ensinou sobre a presença real valorizando a Eucaristia para os evangélicos. Presença real, porém não física, mas sobrenatural, espiritual .

Entretanto é de muita importância considerar que Cristo veio ao mundo e se tornou um homem real, como ensinou João no primeiro século, e isso faz parte da teologia perfeita, isto é, vem de Deus que tem essa confissão.

De tal forma é importante que podemos guardar esse dia como um reconhecimento que Cristo veio em carne, se fez homem e habitou entre nós. Corpus Christi, esse é o evento histórico de suma importância: Ele viveu entre nós, (um corpo) foi crucificado, morreu e ressuscitou com o mesmo corpo, visto pelos discípulos e por mais de 500 testemunhas, e ascendeu aos céus, em um Corpo, e assim voltará. Jesus de Nazaré.

Conclusão:

Para nos o feriado Corpus Christi tem um significado que nos leva a meditar no Filho de Deus que veio ao mundo para nos salvar, inclusive com a ressurreição do Corpo. A afirmação, Corpus Christi vai além da presença real, é uma confissão de fé apostólica. Paul Tillich insistia que: “é legítimo que a arte cristã inclua o Cristo ressuscitado corporalmente na trindade, por isso a presença eterna de Deus combina o tempo e o espaço”.

Amados pastores e irmãos, aproveitem o feriado para meditar sobre isso.

Cristo vive! E na Eucaristia celebramos sua existência histórica, sua obra redentora, e anunciamos a sua morte até que ele volte.

Bispo Primaz I.F. Barreto

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