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Publicado por em dez 14, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

CONDUZINDO O BARCO

CONDUZINDO O BARCO

Conhece aquele mito do barco que o morto entra nele e atravessa um rio turbulento?

Caronte é o barqueiro que leva as almas para o Hades, o rio de águas turbulentas que fazem o limite com o inferno. O rio chama-se Aqueronte Como o barqueiro cobrava o trajeto era colocado duas moedas nos olhos do morto para que ele pagasse a passagem. Esse barco o grego não conduzia, mas era conduzido.

Mas quero lhe falar hoje do nosso barco, aqui e agora enquanto estamos vivos e não se preocupe com o mito grego, é só uma ilustração sobre um barco que não temos como conduzi-lo. Mas quero falar agora sobre um Barco todo seu, todo meu e que não temos como passar o remo para outro, nem mesmo se entregar ao ócio acreditando que Deus guiará o barco, ele nos deu o Barco para que possamos conduzi-lo, não podemos devolver essa obrigação alegando suposta espiritualidade, é você quem vai pilotar a nave, não fique desanimado.

“as grandes construções começaram do chão”

Você sabe de onde surgiu a palavra Barco? Desde Heródoto já se falava em πλοιον, (ploion) serve para barco, navio e embarcação, na linguagem bíblica, porém, aparece em Josué como o verbo “passar”, “e o povo se apressou e passou” (Josué 4.10).

Temos que pensar no verbo “passar”, por isso é traduzido também como “atravessar” , como no texto onde se ler “e Davi atravessou o Jordão” e ninguém atravessa um rio andando a não ser que seja um riacho ou num espaço raso.

Seja como for atravessar é “Abar” que veio a ser o Barco, עָבַר Abar é barco desde Josué. A metáfora projetada na figura do Abar é o “barco da nossa vida”, nossa existência e nossa forma de conduzir esse barco. Alem do texto em Josué, incluímos para a nossa reflexão o conhecido texto de João “Mas Jesus lhes disse: “Não temais”. Então eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino” (João 6, 20-21).

 

Podemos observar um navio em alto mar e imaginar como é aquele caminho, nos parece absolutamente sem rumo, ninguém sabe para onde vai ou se mesmo se dirige ao porto de onde observamos – La vai o navio.

Os discípulos entraram no Abar muito confiantes, acreditando que chegariam no seu destino apenas remando, a força do braço, a experiência haveria de conduzir a todos em segurança. Um barco tem remos e velas, os remos movemos com a nossa força, a vela fica à mercê do vento, se nossa confiança estiver apenas nos remos é porque nem demos importância à vela, essa é outra rica palavra escondida no texto, “vela” vem do latim “vigilare”, velar, é uma sentinela em nosso barco, se prestarmos atenção ouviremos a voz do Espírito e a razão vai organizar a revelação.

Quando alguém conduz o barco somente pela razão se torna racionalista e irá se perder no mar da vida, as tempestades, as ondas e por o caos dominará, mas se o homem se deixar conduzir apenas pelo Espírito também se perderá, não existe uma só pessoa que seja dirigida só pelo Espírito, isso porque somos carne, humanos, a

natureza decaída nos tirou essa possibilidade e não podemos mais ser conduzido só pelo Espírito, acredito que, nem mesmo Adão antes da queda poderia ser assim conduzido, se assim o fosse, não haveria caído. A Queda é o sinal de que precisamos unir Razão e Fé.

 

Nos negócios se não ouvirmos a voz interior, ou a para ser mais claro a voz do Espírito não conseguiremos bom êxito nos planos, é preciso ser racional e também espiritual, somos seres de duas dimensões, temos Corpo e Alma.

 

Observe o Brasil como um grande Barco, estamos em crise e com dificuldade na tripulação, mesmo a Prefeitura de Ribeirão Preto, estamos sem prefeito, porque falta um comandante.

Quando querem a eleição os candidatos tentam, ou fingem querer ouvir a voz de Deus através dos pastores, então eles vem à Igreja pedir oração, ou pedir conselho, ou se apresentar como amigos afim de conseguir alguns votos a mais. Depois de eleito o candidato se afasta da “espiritualidade” e passa a conduzir o Barco apenas com a razão, e por ser essa dependente de uma luz interior ou para ser mais objetivo, como depende da orientação divina para se conduzir melhor não o fazendo começam a soçobrar. Esse fenômeno acontece também na República, é um barco à deriva, tentando a travessia.

 

Agora, o mais importante não é olhar os outros barcos, mas olhar o nosso próprio barco. Como cristãos dependemos uns dos outros, somos barcos que quando solitários ficamos à deriva.

Temos dois lemes, e a vela, os lemes do barco nos diz que não estamos sozinhos, mas acompanhados de irmãos, a vela indica que necessitamos de vigilância e de ouvir a voz do Espírito.

Quando alguém tenta remar sozinho se cansa, e remar a dois é preciso sincronizar bem o tempo e a velocidade. O nosso barco ou vai pela fé ou não vai nunca, pela razão nos transformamos em racionalista, orgulhosos do saber, achando que sabe para onde vai, mas diante da tempestade é bem capaz de acharmos em Jesus um fantasma. Se nos ufanamos na fé como quem ouve pessoalmente a voz de Deus, entramos no caminho da falsa espiritualidade e nos perdemos em alto mar, sem saber que rumo tomar.

Você pode encontrar muitos pastores e pregadores que abandonaram o ministério, ou fracassaram porque não souberam organizar a revelação. Ficaram decepcionados, não seja mais um desses que não sabendo usar a razão também não souberam usar a revelação.

 

Precisamos unir a razão com a fé, para sermos humanos, corretos, espirituais, santos, separados, mas não individualmente santo e espiritual ao ponto de se achar sem pecado ou livre de pecar, ou incapaz de fazer algo pelo Reino por sermos pecadores.

 

Os filhos de Zebedeu deixaram o barco com o pai e entraram noutro barco, eram eles, João e Tiago, muitos ensinam que para seguir a Jesus ou ser um pregador deve-se parar de trabalhar, mas nem sempre é assim. Hoje com a difamação da Igreja por meio da mídia, muitos não contribuem e o ministério pastoral vai ficando cada vez mais raro, por outro lado muitos acham que o ministério é uma profissão lucrativa e embarcam com avidez nesse mister.

O certo é que por causa da avareza a evangelização não tem mais a mesma força, entretanto é possível fazer o mesmo, desde que se entenda a necessidade de se conduzir o barco da vida profissional com um alvo comum – O Reino de Deus.

Mensagem de domingo, 11 de Dezembro, 2016.

Imr Sede

Bispo I.F.Barreto

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