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Publicado por em out 5, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

ÁRIO OS SOCIANOS E SUSANA WESLEY

ÁRIO OS SOCIANOS E SUSANA WESLEY

Ário era um cristão de forte convicções, era conhecido pelo seu ascetismo e pela sua moral elevada. Mas como ninguém está livre de se tornar confuso em certas doutrinas, ele foi vítima do literalismo, era famoso como presbítero da Igreja de Alexandria. A consubstancialidade entre Deus o Pai e Jesus Cristo seu filho para Ário não tinha apoio entre os cristãos do primeiro século. Para Ário Cristo não seria a “exata expressão do seu Ser” (Ser de Deus), mas seria o filho subordinado ao Pai. Deus é apenas um e não manifestado em carne, e muito menos em três pessoas.

O termo Hypostáses que significa substância passa a ter o significa de “persona” (pessoa) e a Trindade seria, três ὑπόστᾰσις com uma mesma substância, ουσια (ousia). Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

A doutrina de Ário afirmava que, “o verbo de Deus que se encarnou em Jesus não existia desde a eternidade com Deus, mas era uma criatura, a primeira de todas as criaturas, esses ensinos foram confrontados pelo Bispo Alexandre que empregou toda autoridade episcopal para disciplinar e silenciar Ário, depois disso essas doutrinas foram rejeitadas por um sínodo dos Bispos do Egito, mas Ário insistiu e se reuniu com os amigos “lucianistas”, aqueles que estudaram com Luciano de Antioquia, para fortalecer a sua doutrina ele pediu e consegiu apoio de uma amigo lucianista conhecido por Eusébio de Nicomedia e se fortaleceu.

Nas ruas de Alexandria os seguidores de Ário cantavam pelas ruas: “houve um tempo que ele não existia”. Eram insistentes provocadores. Esse desprezo prejudicava todo o trabalho de Cristo a favor da humanidade. Um Cristo meramente humano diria Atanázio mais tarde, “não poderia resgatar o gênero humano”.

O termo técnico pode confundir, Homousios, significa a mesma substância, Homoiusion, de substância semelhante, muitos usaram a segunda designação para preservar a divindade do Filho, e ao mesmo tempo afirmar a distinção entre o Pai e o Filho, e parecia uma afirmação do “semiarianismo”. Isto é, adotava em parte a doutrina de Ário.

Depois a Igreja passou a adotar a fórumula nicena, homousios. isto é, a mesma substância. A fórmula completa do credo niceno é: “homousion to Patri” (da mesma substância do Pai).

Como nasceu essa doutrina? 

Luciano o mestre cristão de Antioquia fez uma interpretação literal de alguns textos, evidentemente que Jesus nunca disse, “Sou Filho de Deus”, ou “Sou Deus”.

Essa doutrina nasce do texto fora do contexto, e por falta de entendimento das palavras de Jesus quanto homem, “O Pai é maior do que eu” onde ele demonstra humanidade, e do texto: ‘Eu e o Pai somos um’ que fala da sua natureza divina. E sobretudo da ignorância quanto ao texto onde Tomé declara: “Senhor meu, e o Deus meu”.

O contexto da divindade de Cristo emerge de todos os escritos e de alguns textos isolados, sobretudo da confissão assombrada de Tome, Ο κύριος μου και ο Θεος μου, ( O Senhor meu, e o Deus meu). Esse é o texto atravessado na garganta dos TJ, eles não tem como fugir, aqui Tiago diz que Jesus é Jeová. O artigo nominativo, “o” designa o sujeito da oração, que é Jesus que Tiago chama de Deus.

A natureza divina do Filho nos Evangelhos 

Portanto é bom que fique claro que, não se tira a concepção sobre a divindade de Cristo de um texto apenas, mas de um contexto maior, do contexto de todo o Evangelho escrito. Examine os Evangelhos e as cartas e logo você perceberá que a divindade sobressai dos escritos sem deixar nenhuma dúvida, junte isso às declarações de alguns historiadores e você terá certeza absoluta da divindade de Cristo. Os cristãos do primeiro século, oravam e cantavam a Jesus Cristo como se fosse a Deus, o próprio termo muito usado por eles, “Senhor Jesus!” era um testemunho da divindade, já que não existe outro Senhor a não ser Deus.

Quando já estava ameaçando a unidade da Igreja, Constantino convocou um Concílio para expurgar de vez a doutrina de Ário. No Concílio de Niceia no ano de 325 ficou claro e determinado que a doutrina de Ário era herética e não devia permancer na Igreja.

Herdeiros do arianismo 

Um dos mais importantes herdeiros do arianismo foi o italiano Fausto Socino (1539-1604), que tendo adotado essa doutrina procurou refúgio na Polônia e fez muitos discípulos, ele sustentava que a doutrina da Trindade, assim como a geração eterna do Filho, não são bíblicas, e devem ser rechaçadas. A redenção não fazia sentido para ele, já que o perdão é gratuíto, e isso também deveria ser rechaçado. Ele chegou a escrever o Catecismo Racoviano, muito usado na cidade de Racow. Esses ensinamento foram introduzidos na Inglaterra e depois nos Estados Unidos e influenciou na criação de todas as seitas unitárias.

Além dessa confusão criada por Ário temos ainda outra criada por Nestório, que afirmava ter Jesus duas natureza distintas em duas pessoas, uma divina e outra humana. Essa doutrina foi considerda herética no Concílio de Éfeso no ano 431. Duas pessoas em Cristo era complicado demais. Duas décadas depois da condenação no Concílio de Éfeso, Nestório depois escreve demonstrando concordâancia com o Concílio da (Calcedônia 451), mas esses escritos foram perdidos e só encontrados no final do século XIX. A doutrina mais antiga prosperou no antigo império Persa, e até hoje existe espalhadas pelo mundo, mas são poucos.

Susana Wesley e a doutrina de Ário. 

Como ilustração vamos anotar um fato interessante na vida de Susana Wesley. Respondendo a Sam. Wesley disse: “Eu não participo mais da igreja de meu pai. Eu me uni aos socinianos, Sam Wesley respondeu: – Você devia envergonhar-se – disse ele , sem muita cortesia – Eu não consigo imaginar uma

garota inteligente como você filha de tão notável cristão como é seu pai procedendo de maneira tão ignorante.

Depois, passando algum tempo, ela volta ao ataque: – Você me classificou de ignorante, mas acho que é tempo de você saber que por alguns anos venho lendo os livro de meu pai, tenho alguns conhecimento de grego e hebraico.” Ela tinha apenas doze anos.

Samuel Wesley, então, respondeu: “Devo admitir que ignorante não é um termo adequado para descrever um evidente prodígio. Você deve estar ciente, entretanto que o único Deus ao qual você se refere é uma Trindade, isto é, três pessoas em uma, cada qual com a sua peculiar missão a cumprir. Pelo que sei, os socinianos negam a esta verdade”. Ao que ela respondeu:

“- O termo Trindade não aparece uma vez sequer no Novo Testamento, nem mesmo nos livros apócrifos. Isso foi inventado pelos homens”.

Sam Wesley respondeu gentilmente: ” -Ah, e você devia saber – respondeu ele, que estou contente por não se encontrar tal termo na Bíblia, pois caso houvesse, seria mal interpretado. Da maneira que é, o significado do termo aparece na Bíblia, repetida vezes. nos Evangelhos Deus é mencionado como Pai mais de oitenta e cinco vezes; pelo menos vinte vezes como Filho; e vinte e cinco vezes como Espírito Santo. Jesus colocou os três juntos, ao dizer: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. É perfeitamente claro que o Filho reconciliou o Pai com toda a raça de Adão; e o Espírito Santo levou os santos do passado a profetizar; e foi o Filho que redimiu o homem caído, mediante sua morte sacrificial na cruz. E você deve estar ciente de que o Espírito Santo é o Espírito onipresente que desperta as almas perdidas para a necessidade de salvação. E ainda tem mais…

“- Não importa – respondeu Suzana mansamente. – Entendi o que você disse”

Alguns dias mais tarde, sem uma palavra de explicação a quem quer que fosse, Susana simplesmente retomou o lugar no banco da família, na igreja de seu pai Dr. Anesley

Sam Wesley seria mais tarde o esposo de Suzana.

Santo Agostinho e a Trindade

Na passagem da Escritura que diz: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” ( DT6.4), estão incluidos o Filho e o Espírito Santo, a quem chamamos o único Senhor nosso Deus e também nosso Pai, que nos regenerou por sua graça.

Então, segundo Santo Agostinho o Filho que nos regenerou é o Pai que nos regenerou, já que veio de Deus ao mundo como oferta pelo pecado.

Ao Filho não se chama de Trindade, nem à Trindade de Espírito Santo. Mas o Espírito Santo, que não é a Trindade, mas está na Trindade, quando se há de fazer referência a Ele, denominando-o propriamente Espírito Santo, a referência é dita de modo relativo, pois inclui o Pai e o Filho, porque o Espírito Santo é

espirito do Pai e do Filho. Essa relação, porém, não aparece claramente nesse nome, mas sim sob o nome de “Dom de Deus” (Atos 8.20), pois é Dom do Pai e do Filho, visto que procede do Pai (João 15,26), como afirma o Senhor. E quando o Apóstolo diz : “Quem não tem o Espírito de Cristo, não pertence a ele” (Rm 8,9), está se referindo evidentemente ao Espírito Santo. Quando dizemos Dom do doador e Doador do dom, referimo-nos relativamente a ambos e mutuamente. Portanto, o Espírito Santo é como uma comunhão inefável do Pai e do Filho, e talvez seja assim chamado de Espírito, porque a mesma denominação pode aplicar-se ao Pai e ao Filho.

Obs: O pertencimento só pode ocorrer pelo Espírito Santo, é uma condição “sine qua non”, não existe outra forma, esse vínculo é feito unicamente pelo Espírito.

Para o Espírito Santo a denominação é própria , mas para as outras pessoa é comum, pois o Pai é espírito, o Filho é espírito, assim como o Pai é santo e o Filho é santo. E para significar a comunhão mútua por uma denominação que convenha aos dois, o Dom de ambos chama-se Espírito Santo.

Obs: (Assim Pedro se refere à Trindade quando diz : “…não se pode comprar com dinheiro o dom de Deus. literalmente δωρεαν του θεου, (dorean tou Teou). Esse seria o presente de Deus ao mundo, para a salvação e tudo o que dela deriva.

Esta Trindade é portanto um só Deus único, bom, grande, eterno, onipotente, e ele é a sua própria unidade, sua deidade, sua grandeza, sua bondade, sua eternidade e sua onipotência.

Obs: Tudo se relaciona a um só Deus, daí que, no Concílio de Niceia (325) se declara a divindade de Jesus Cristo e em Constantinopla (381) se declara a divindade do Espírito Santo.

João Wesley e a Trindade

A forma como aparece nos escritos de Wesley é descritiva, no seu famoso sermão sobre a Santidade ele se refere à Trindade na forma bíblica: “Três são os que testificam no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um”. Ele quando escreve para a irmã Ritchie: ” – Você nunca deixou de ter consciência da presença do Deus Trino, três em um?

Para Wesley ninguém deveria ser levado à fogueira por não compreender perfeitamente essa doutrina, e ele usava os termos bíblicos que são simples e não necessitam de muito esforço para entender que, só é possível entender se antecipadamente crer.

O conhecimento do Deus Trino, três em um, está entrelaçado com toda a verdade da fé cristã, com toda religião vital.

Obs: A Trindade era demonstrada por John Wesley na experiência da vida dinâmica, a santidade era uma obra do Espírito e ninguém podia buscar a santidade se não fosse pelo poder do Espírito e ninguém poderia avançar nesse conhecimento se não fosse pelo mesmo Espírito. Assim a vida cristã normal era uma vida trinitária.

Essa é a base da renovação carismática para ontem e para hoje, ninguém pode ser carismático sem o Espírito Santo, e nem sequer pode ser verdadeiramente um cristão se não receber o testemunho do Espírito em seu interior. Mesmo sem o saber aquele que é verdadeiramente cristão só o é pelo Espírito Santo.

Essa é a versão que John Wesley fez do artigo anglicano sobre a Trindade para a Igreja Metodista nos Estados Unidos.

“Há um únido Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem partes nem paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Conservador de todas coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

Conclusão: 

Todo verdadeiro cristão é trinitário, ainda que não compreenda completamente, ainda assim o é, pois nele tudo o que foi feito só poderia ser feito por causa do Amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Bispo Primaz I.F.Barreto

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