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Publicado por em maio 23, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Destaque, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

APOLOGÉTICA XIV – EM DEFESA DA ALEGORIA E O SENTIDO MÍSTICO

APOLOGÉTICA XIV – EM DEFESA DA ALEGORIA E O SENTIDO MÍSTICO

איש מחקר טוב “aish mhkar tob”

צוֹר, תְּעוּדָה; חֲתוֹם תּוֹרָה, בְּלִמֻּדָי

EM DEFESA DA ALEGORIA E O SENTIDO MÍSTICO

As Escrituras não tão fáceis assim de serem interpretadas, todo esforço teológico, exegético não esgota o que diz o texto. Imagine alguém dizendo: “Somos filhos de Abraão”, literalmente são os judeus, alegoricamente são os cristãos, Jesus discordou quando disseram: – Temos por pai Abraão, naquele momento eles eram e não eram filhos de Abraão, eram por descendência, mas não eram no sentido espiritual, e Jesus chegou a dizer que das pedras suscitaria filhos a Abraão.

São João da Cruz afirmou que, o caráter da Escritura é inesgotável: “Os santos doutores apesar de todos os seus comentários e todos aqueles que se lhes poderia adicionar, jamais interpretaram a Escritura a fundo: palavras humanas não podem conter aquilo que o Espirito de Deus revela” (Cântico Espiritual- prefácio).

A revelação divina seria algo inefável só alcançável pela revelação. Mas o que é revelação? Toda revelação dada ao ser humano ele só capta mediante um método de interpretação, quem se achou capaz de ser a própria hermenêutica criou as maiores heresias. Até violência surgiu do literalismo e do pessoalismo.

Os místicos ou foram literais ou foram até mesmo alegóricos, seja como for o misticismo tende ao fanatismo, mas a interpretação mística também é possível e pode ser feita sem exagero e sem risco de incorrer em heresias destruidoras.

A melhor hermenêutica é aquela que adota vários modelos ao mesmo tempo, é chamado eclético, no exemplo citado acima, Abraão é o ponto de partida para a exegese, e os cristãos se tornam filho de Abraão na medida da uiostesia, isto é, a adoção de filhos pelo poder do Espírito Santo.

Segundo Tzvetan Todorov não existe texto mais comentado do que o que diz:A letra mata, o espírito vivifica”. Então é a alegoria que faz com que a letra se transforme em algo espiritual, “filhos de Abraão” sai da letra para o espírito, pelo Espírito. Quando se faz a exegese de uma palavra para alcançar a sua profundidade, como na palavra hebraica “Leb” coração, mente, vontade, ânimo, procurá-se depois disso a hermêutica, isto é, a interpretação do texto onde se encontra essa palavra, o contexto e tudo o que se coaduna com uma boa interpretação.

, מָצָא – Vontade e disposição

No livro de Samuel Davi fala da Matza, aquele desejo de ir adiante, econtrar, como é um verbo transitivo precisa de um complemento. Encontrar o quê? A resposta é: O coração, o ânimo. Do coração vem o ânimo, e Leb é coração, vontade e pensamento. “Teu servo econtrou ânimo” מָצָא עַבְדְּךָ אֶת-לִבּוֹ “matza ebed´(qf) leb (v).

O sentido espiritual das palavras e dos textos é superior ao sentido literal, “Nesse sentido podemos dizer que o cristianismo tem uma necessidade constitutiva do método de interpretação alegórica : se não houvesse alegoria, não haveria Deus (porque seria impossível afirmar a existência de uma

realidade espiritual inacessível aos sentidos (supra-sensível) e, portanto, sempre fruto de interpretação”.

Lutero combateu o sentido alegórico, ele interpretava a frase de Jesus: “isto é o meu corpo” literalmente. Isto é o meu corpo.

Quando chega a reforma em 1517 a interpretação alegórica entra em desuso, e o literalismo pega com toda força. Por volta de 1516 afirmava John Colet: “Nos escritos do novo Testamento exceto onde o Senhor Jesus e seus apóstolos quiseram falar por parábolas – como Cristo fez repetida vezes nos Evangelhos e São João de maneira sistemática no Apocalipse (note que, quem escreveu o Apcalipse não João, o discípulo amado, mas um de seus alunos, esse livro só foi considerado canônico lá pelo século IV d.C). Todo o resto do texto, seja que o Senhor ensine abertamente seus discipulos, seja que os apostólos instruam as Igrejas, tem como significação o sentido que aparede à primeira vista, e jamais se diz alguma coisa para significar outra, e a coisa significada é aquela mesma que foi dita, e o sentido é absolutamente literal”.

Talvez por essa razão, por esse método alguém tenha dito que Orígenes se fez eunuco por interpretar literalmente o texto que fizesse o homem pecar, “melhor é para ti entrar coxo na vida” “melhor é para ti entrar na vida com um só olho” (Marcos 9, 43-45).

Então, a interpretação alegórica é a mais rica e a mais apropriada para a edificação do Corpo de Cristo sem o risco de grndes heresias.

Santo Agostinho teria dito: “A alegoria é o leite que é necessário tirar da letra”. Para Cirilo de Alexandria, a Escritura era um jardim cheio de flores delicadas: e essas flores do sentido espiritual, o evelope protetor das folhas era ncessário”.

Assim é a revelação que vem pela alegoria que supera todas os métodos de interpretação, a revelação é sobrenatural é dada pelo Espírito Santo de tal forma que podemos conferir coisas espirituais com espirituais sem dispensa a exegese.

Com Baruc Espinoza surge a razão como a base da interpretação, foi considerado o novo método, “funda-se numa separação entre fé e razão, que ele qualifica de “finalidade principal a que tende qualquer obra”. Ele queria dizer que: “A Escritura deixa a razão inteiramente livre e nada tem em comum com a filosofia, mas ambas se mantêm por uma força que lhes é própria. Esses dois conhecimentos nada tem em comum, mas podem, um e outro, ocupar seu campo próprio sem se combater de forma alguma e sem que nenhum dos dois deva ser o servo do outro”

Não devemos desprezar a Episteme (Science), “a percepção que a alma tem da realidade do que existe”, não é nas impressões que reside a episteme, mas no raciocínio sobre as impressões, pois é aí que se torna possível um contato com a realidade”. Entretanto esse conhecimento não tem a mesma utilidade na hermenêutica sagrada, a não ser por especulação, podemos conhecer por meio da “dianóia”, mediante a percepção que a alma tem dos objetos percebíveis, claro que a Escritura como objeto da percepção é um raciocínio sobre palavras, que são lidas, estudadas, mas nunca manipuladas como coisas. A Palavra é objeto da contemplação por meio da “noesis”, como uma capacidade, uma potência da alma.

Depois disso você vai dizer que, Hermenêutica Sagrada não é coisa fácil, e quam acha fácil erra muito mais.

Ainda acho que, a melhor exegese e a melhor hermenêutica seja a eclética, que não dispensa a razão nem a filosofia, nem a história, a espisteme; tampouco a alegoria, a mística, a espiritualidade e a revelação.

טוב מאוד “tov meod” (very good!)

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