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Publicado por em jun 23, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

A história do dízimo

A história do dízimo

“a liberdade, de acordo com Kant, é uma pressuposição confirmada pelo fato de que o homem tem consciência de um dever que não é o seu próprio desejo” Kar Barth.

Tudo começa nitidamente com Abraão, quando ele ainda não era Abrão.

Ele está voltando de uma campanha militar, Quedorlaomer fora derrotado, logo a seguir acontece o que ninguém sabe explicar: o aparecimento de, “Melquisedeque rei de Salém, מלכּי־צדק, (Malki-sedeq) o nome só aparece aqui e no Salmos 110,4 quando no texto fala da ordem de Melquisedeque; a composição do nome Melk “rei” sedeq “retidão”, daí o nome: “rei da justiça”. O Sacerdote Malkisedeq então fala para Abrão: “Seja louvado o Deus Altíssimo que entregou teus inimigos nas tuas mãos”, Então Abrão lhe entregou o dízimo de tudo” (Gn 14.20) מַעֲשֵׂר מִכֹּל” “masser mikol”. A décima עשׂר “assar”, ou seja a décima parte de tudo o que possuia.

 Dízimo no Antigo Testamento é עשׂר, a décima, ele então deu a décima parte do todo. וַיִּתֶּן־לוֹ מַעֲשֵׂר מִכֹּל wav-nathan-lo masser mikol. Entregar, מעשׂר masser sempre se relaciona à entrega da décima parte, porque “äsâr” é o número dez. Literalmente seria: “Abrão deu a ele o décimo de tudo”.

Há de se notar que tudo o que Abrão fez em relação à “masser” A entrega da décima parte de tudo, foi antes da Lei de Moisés, num período da graça na antiga Aliança. Assim se deduz que o dízimo não é propriamente um exigência da Lei. Abrão foi reconhecido como cumpridor de todas as Mitsavah de Adonai.

Nesse período estava sendo plantado a semente da doutrina da Igreja, Altares levantado por Abrão o que muitos abandonaram (já não querem ir aos cultos), e os deveres o “shuqaqh” que foram agregados à Torah.

A narrativa cristã do primeiro século, até o ano 100 dc. apontou para várias práticas que se interpreta como “dízimos e ofertas”, mas era bem mais conceituado do que se fosse apenas isso. Com Jesus aparece a ofertante exemplo, a viúva pobre, “pôs na caixa duas moedinhas de pouco valor”. Náo se ver Jesus criticando a ofertante pelo fato de doar tudo o que possuia, e ninguém ousa acompanhar essa viúva na hora de ofertar. Alguns até criticam e dizem que isso faz parte do Antigo Testamento, mas Jesus estava lá do lado do ofertório. “Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadoas as contribuições e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas” (Mac 12. 42a), e, não criticou o modelo que vinha do Antigo Testamento, aprvou e e fez uma crítca leve dos que davam sem sacrifício.

Jesus exortou para que fôssemos doadores : תן, והיא תינתן “Dad, y se os dará” (Lucas 6.38), “wavhiy´a t-inathon, ton” (dai e será dado a você) A doação, nathon é o mesmo verbo usado por Abraão: וַיִּתֶּן־לוֹ : נָתַן תינתן nathan : “to give” dar, doar, conceder, atribuir, consagrar, Ofertar é um ato de culto, de consagração, faz parte do culto a Deus. Ele היא (do aram. he and “.she, ele ou ela) Ele ou você dá e será dado a você. A Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH) traduziu assim: “Dêem aos outros, e Deus dará a vocês”

A pergunta que pode ser feita: Dar o quê? Naquele tempo quem era rico tinha muitos camelos, hoje tem muitos bens, então o dízimo עשׂר äsâr” (a décima) ficou superado pelo todo, ou algo mais do que a décima, ou a décima de tudo. E décima de tudo somente alguns praticam isso. Alguns dão 10% do lucro da empresa…Conhece mais alguém que faz isso? Abraão deu 10 % de todo o seu empreendimento. מַעֲשֵׂר מִכֹּל”masser mikol (deu uma décima do todo) E ninguém imagina o que Melquisedeq iria fazer com tudo aquilo, talvez abrir uma instituição assistencial, prover para alguns, prover sustento para os “obreiros”, Abraão nem perguntou, separou a décima de tudo o que tinha e fez a doação. מַעֲשֵׂר מִכֹּל” “masser mikol”.

Fica aí a ideia para quem quiser pensar sobre Dizimos e Ofertas, mas pode escolher pensar em ser um doador de tudo o que tem. Se achar melhor o mínimo dê à moda da “viúva pobre”, se for rico tem o dever de fazer melhor, ainda que o dever não seja o próprio desejo como disse Kar Barth falando de Kant. Seja como for é melhor dar do que receber.

Não seja avarento, agarrado a um tesouro que lhe vai escapar como mel na palma da mão, escorrega tudo e você fica sem nada.

Sobre oferta, No livro de Atos podemos ler a história de Safira e seu marido,”Um homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher, e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 5.1-2). Naquele período houve um movimento de entrega, pessoas vendiam suas propriedades e doavam, com certeza eram bens acumulados, não se espera que alguém venda sua casa e vá morar na rua.

O voto que fizeram era de doar tudo e quem quebrasse o voto poderia sofrer alguma penalidade, foi o que aconteceu com o casal quando mentiram a respeito do valor da venda. Hoje em dia são poucos os que oferta do Ganho de Capital, pagam o governo, mas não dão o dízimo do ganho efetivo. Ficam quietinhos. Mas tudo bem, muitos são dizimistas.

Veja que não era dízimo, “era tudo”. Alguém pode achar que isso não é razoável, mas foi o que aconteceu, pensar ser correto ou não vai depender do que se pensa a respeito da Igreja, do amor que se tem pelo ministério. Ofertar na Igreja é um costume que vem desde o tempo em que Jesus pregava na palestina, “Quando alguém diz: Isso não é razoável para mim”, ele está dizendo alguma coisa de si mesmo, a avareza prejudica e muito as missões. A qualidade do serviço é de acordo com o que você pode fazer, se for rico deve ajudar muito mais, ou abraçar o seu tesouro e ser sufocado. Quando uma pessoa pode fazer muito é responsável por fazer muito, e, a pessoa que só pode fazer o “pouco” não pode ser responsabilizada por não fazer muito, ela faz o que pode. O muito é comparado com o que temos.

No período “paulino” havia muitos que viviam do ministério, Paulo chega a dizer: “se outros têm o direito de ser sustentado “por vocês, não o temos nós ainda mais?” (1 Coríntios 9.12).

Paulo explica baseado no Antigo Testamento o que muitos cristãos hoje não aceitam: “Vocês não sabem que aqueles que trabalham no templo alimentam-se das coisas do templo, e que os que servem diante do altar participam do que é oferecido no altar? Então Paulo conclue: “Da mesma forma, o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho que vivam do evangelho”( 1 Co 9.14). Ele fazia sa teologia pelo Antigo Testamento, sempre que era razoável, mas ele não deu apoio ao apedrejamento.

Houve um período na Igreja onde as ofertas não tinham lá tanta importância, isso começa a acontecer quando Constantino torna a a fé evangélica como a confissão religiosa do Império Romano, aí tudo ficou mais fácil, grandes templos foram tomados dos pagãos, e o Estado pagava tudo. Mas houve quem doasse tudo e partisse para as missões, Paula deixou seus bens com as filhas e foi para um convento ajudar na tradução da Bíblia. Mas muitos doavam tudo para os conventos. A Igreja na Idade Média era próspera, fundaram universidade e muitos Monastérios onde se estudavam as Escrituras. Isso não era feito com “esmolas”, os que pediam para algumas ordens era uma opção. São Francisco fez essa opção, mas alguém pagava a conta, pouco talvez para quem vivia em voto de pobreza, mas alguém pagava.

No Brasil holandês (1630-1654) o principe Nassau financiava a Igreja. Na Europa a Igreja reformada recebia apoio do governo, castelos e conventos eram construidos com dinheiro público. Em 1636 foi organizado um presbitério no Brasil com o nome: “Classe do Brasil da Igreja Cristã Reformada”, e, quem pagava os custos era o governo, e alguns homens ricos.

O Concilio de Nicéia foi financiado pelo governo. Na Inglaterra Henrique VIII financiava tudo, consequentemente terminou mandando em tudo. Quando a Igreja é estatal não se tem problema com ofertas, mas tem problema com a autoridade. Podemos propor a quem combate “Dizimo e ofertas” a fazer missão em algum lugar desse país por sua própria conta e vamos ver se consegue. Um missionário avarento iria ficar esperando o corvo lhe trazer um sanduiche, quer dizer esse pessoal não atravessa nem uma rua para dar um folheto. A avareza acaba com o desejo de evangelizar e a vontade que prevalece é a do homem que fala, mas não faz, nem por dever nem por temor.

Hoje a Igreja é separada do Estado na maioria dos países, e o povo que ama a Obra de Deus é que financia os custos e mantém tudo em ordem. Quem não ama não doa e critica quem oferta, quem oferta por medo do devorador não ama de coração, doar é um ato de fé e de amor, portanto Dízimos e ofertas é um dever e uma necessidade, sem financiamento não tem como avançar no trabalho evangelístico.

Quem teme a Deus por “fobia” dá, mas não dá com alegria, Paulo disse aos crentes de Roma, “se é contribuir, que contibua generosamente” (Rm 12. 7). Você pode está se perguntando mas não falou de dízimo? Paulo apelava para o antigo testamento significava aprovação às doações que faziam seja lá por que título fosse. Abraão deu a décima, era cultural, até na Babilônia se fazia isso, todo mundo oferecia dádivas aos deuses, e o cristão a Yah.

Nos romances de Jane Austen podemos perceber que, muitos procuravam o ministério nas Igrejas e recebiam do condado a devida remuneração, é assim até hoje. As ofertas do senhor da provincia era bem generosa.

A avareza contudo que se revela em alguns seguidores dos “pastores” do facebook acreditam que Dízimos e o Ofertas fazem parte do Antigo Testamento, mas querem as bençãos do Antigo Testamento, alguns querem até ser tão abençoado como Abraão, mas não querem a fé prática de Abraão, querem apenas o sucesso dele, mas sem Mitsavah.

Paulo recomendando gnerosidade aos ofertantes dizia: “oferta generosa, e não como algo dado com avareza”, pois a avareza é semelhante ao pecado de idolatria.

Semear é mais do que dizimar, quem semeia, enche as mãos de sementes e joga no solo, sem nem mesmo contá-las, mas confiante que está fazendo uma boa obra. O avarento olha e diz: “Isso é coisa da Lei”, mas Abrão deu dízimo antes da Lei e deu de tudo o que possuia.

No Capitulo 9 da carta aos coríntios Paulo diz: “Não tenho necessidade de escrever-lhes a respeito da assistência aos santos. Reconheço a sua disposição em ajudar e já mostrei aos macedônios o orgulho que tenho de vocês, dizendo-lhes que desde o ano passado, vocês na Acaia estavam prontos a contribuir” (2 Co 9. 1-5).

João Wesley falando da mordomia disse: “Ganhe o mais que puder”, “Guarde o mais que puder” e “Dê tudo o que puder”, mas ele disse de forma ainda mais ousada, “Give all; you can!” (Dê tudo, você pode).

Quais são as afirmações falsas , e quais são as afirmações verdadeiras ? Esses pregadores da internet que enfatizam a nulidade das experiências de Abrão, que negam o dízimo como sendo do Antigo Testamento, mas ao mesmo tempo almejam as bençãos do Antigo Testamento, são incoerentes e prestam um desserviço à Igreja, pois nem ajudam e tentam confundir quem ajuda, mas eles mesmos não querem assumir um trabalho em qualquer lugar do mundo sem uma remuneração, sem o apoio financeiro de uma Associação ou de um grupo de empresário, ou seja o que for ou quem os apoie. Mente quem prega o que não pode viver, ou então está a serviço do engano para atrapalhar a expansão do Reino de Deus.

Na minha vida não conheci nenhum dizimista que passasse necessidade, e muitos não-dizimistas querem ajuda da Igreja, isto é, querem receber daquilo que condenam, essa hipocrisia envergonha essas pessoas e elas não dão conta disso.

Agora, o importante é doar com generosidade, por amor ao trabalho, com fé de que o Reino de Deus irá se expandir e, que é melhor dar do que receber.

Amém irmão?

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