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Publicado por em jun 11, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Destaque, Notícias | Ninguém comentou

Κηρυξον τον λογον – “Prega a Palavra”

Κηρυξον τον λογον – “Prega a Palavra”

No Brasil a teologia passa por uma crise, só se percebe quando já se passou algum tempo, como as folhas secas que caem das árvores, só se percebe elas no chão, já morta sem que nada mais se possa fazer, é preciso lutar pelo que acreditamos, que a fé que nos foi outorgada por Cristo é imutável, que a necessidade de combater as aberrações teológicas é urgente e que é tempo de marchar corajosamente, sem ameaças, ensinando a verdade e despertando a consciência cristã para o perigo das heresias que são proclamadas por gente sem preparo especialmente pelos inescrupulosos pregadores da mídia.

(2 Tm 4.2)

Pregar a palavra é o que a Igreja por meio dos seus membros faz. Ela faz por meio de livros, gravações de vídeos, nos templos, e hoje em dia por meio da Televisão. Se escuta pregações das mais variadas formas, de textos lidos e não explicados, de explicações que nada tem a ver com o texto, com oferecimento de objetos sagrados que varia de tijolinhos sagrados às vassouras mágicas.

Na mídia qualquer pessoa pode assitir pastores se debruçarem sobre um monte de vassouras e, depois, declaram que elas irão fazer uma faxina espiritual. Isso tudo em pleno século XXI. Acho que se acontecesse no século XVII no mundo que renascia sob ” Le siècle des Lumières” (o século das luzes) na Eruropa precisamente na França seria considerado um atentado à razão, um deboche à cultura, e uma incivilidade total. Mas acontece em pleno Século XXI. Eles falam sério, apelam não para a razão, mas para a irracionalidade, para o desespero do povo, pisam na mente dos simples e abusam do suposto título de “pastor”, levando as pessoas mais cultas imaginarem que, “pastor” é um homem inculto, mas oportunista, do tipo “réprobo” na fé. (2. Tm 3.8).

O quadro de fundo dessa mensagem de Paulo é a sua cultura mesclada com a civilização greco-romana, somada à sua cultura de raiz, a cultura hebraica, era um cidadão romano e um judeu da tribo de Benjamim da qual se felicitava. Bem até eu gostaria de ser um judeu cristão.

É para Timóteo que ele diz: Κηρυξον τον λογον (keruzon ton logon), isto é: “Prega a Palavra”, imagino que Paulo sentiria um arrepio se visse como alguns pregadores brasileiros entendem o que seja a Palavra, “O Logos”, acho que ele nem acreditaria, e se um filósofo do iluminismo visse isso, nem saberia se teria que rir ou chorar.

Sobre o que se passava em Londres com referência à religião, Voltaire disse: “A Inglaterra é o país das seitas: “Multae sunt mansiones indomo patris mei” (Il y a plusieurs demeures dans la maison de mon père). Parece que interpretaram esse versículo como a faculdade de se criar denominações das mais variadas, se na casa de meu Pai há muitas moradas, então: “Um inglês, como homem livre, vai para o céu pelo caminho que lhe aprouver”. Se as demoninações tem um Modelo diferente umas das outras, pode no final das contas tentar ensinar caminhos diversos para se chegar ao céu.

Mas o caso em questão é: Qual era o sentido do logos para Paulo? Como judeu ele pensava em hebraico e se lembrava do “Davar” דִבֵר, que significa, “palavra” e “coisa”, isto é, Davar,

דִבֵר é abstrato e concreto, é palavra e substância, filosofia e teologia prática, é pensar e viver; é ser por intuição e ser por realidade, Davar דִבֵר é substância é ουσία “ousia”.

O contexto que emerge da exortação é o conflito, aliás esse é o contexto de sempre quando se fala de “pregação”. Pregar é analisar e propor solução para conflitos. Jesus chamou o povo para receber descanço, “vinde a mim e eu vos aliviarei”, ninguém que tenha começado a seguir a Jesus poderá se sentir decepcionado ou cansado, mas se seguir a um pregador que não prega a palavra que nem sabe o que significa o logos, irá sofrer por não saber para onde ir, por não saber como usar uma vassoura para se limpar de seus pecados e males; nem mesmo o católico do século XV era tão fervorosamente ignorante, alguns eram mesmo infelizmente, e muita fogueira humana iluminou a noite escura da Idade Média tornando-a ainda mais escura.

Esses pregadores de hoje que vilipendiam o povo e a Bíblia como objeto de mera exploração, tenta tirar o povo da presença de Deus para a mera presença de um pastor que não pastoreia de jeito nenhum, nem a si mesmo.

A primeira coisa que Paulo adiciona após a sublime exortação: Κηρυξον τον λογον “prega a palavra”, é que o pregador deve insistir; εφιστημι “efistemi”, insiste. A versão BJ traduziu por “ameaça”, e ficou longe da verdade. É pouco provável que alguém queira ir para a Igreja depois de ameaças feitas pelo pregador.

A pregação hoje transforma o homem num “artista da vida”, não é fácil colocar o evangelho para o homem moderno, o homem do “shopping”, do belo carro, eminentes professores universitários, gente fina e endinheirada.

Ele teria que insistir em algo, e teria que ter conhecimento para insistir, isso é episteme, Ciência, ninguém deve inistir por pura emoção, insistir por insistir, repetir o versículo esperando que ele se torne algo capaz de mudar o ouvinte. Toda pregação no tempo moderno precisa ser contextualizada, apenas ameaçar como diz na Bíblia de Jerusalém pode se transformar numa força inibidora, num martelo de borracha que não pode esmiuçar a penha.

Muito importante a oportunidade. Onde está o tempo para fazer essa pregação? Paulo responde como disse João Wesley: “eia age, rumpe moras”, é uma frase de Virgílio. Para pregar. O tempo é agora. Existe uma frase dita num filme policial; a noiva fala do tempo de recomeçar, de viver, e o ator responde: “The time starts now” (o tempo começa agora). Aprendemos sobre urgência nos filmes, nos romances, na história com vários escritores, Charles Dickens como outros procurava remir o tempo mostrando o tempo que passavar e as injustiças que se praticava com Oliver Twist.

Qual é o símbolo dentro do Modelo paulino? É o Davar, a palavra, com suas implicações. O processo simbólico tem relação confrontado com o verso exortativo, “Prega a palavra”, Davar é também um símbolo de algo poderoso, é o logos que tudo move, a relação discursiva de Davar com o homem e o mundo, o mundo e o homem é estabelecido de imediato com o Logos que tudo liga com o intelecto a alma, ou com o conhecimento da verdade, Davar se transforma em substância que transmite vida.

Qual é a estrutura lógica de Davar no texto? Davar tem uma terminologia lógica no sentido de que é A palavra no seu sentido de começo, começo de tudo, começo de mundo, בראשית היה הדבר, “No princípio era o Verbo” (Berishit haia h/edavar) (João 1.10). O Verbo é algo que não pode ser encontrado num vazio, tem um sentido psicológico que fala à alma, porque Logos é o próprio Cristo Jesus, e tem um sentido proposional que propõem uma tese, um MODELO.

A palavra usada para formular comando é “Davar”, קרא את-דָבָר “qârã eth-davar” foi usado por Paulo, traduzido para o grego, como “keruzon ton logon”, (prega a palavra). Isaías usa o mesmo verbo, קרא “qãrã” “O Senhor me ungiu para pregar, קרא, mencionar, falar, cuja raiz “abordar uma pessoa” tem tudo a ver com a verdadeira pregação. Davar por ser verbo de ordenança, usado por autoridade e para comando, no livro de Josué aparede Davar, como “Palavra (davar) alguma de tudo o que Moisés havia ordenado” (Josué 35.8).

O pano de fundo para a mensagem de Paulo a Timóteo para a construção do Modelo, é Dabar, um assunto, uma mensagem, uma proposta, uma incumbência, uma causa, uma resposta às indagações do ser humano. No livro de Oséias é a PALAVRA DE YAHÔ, דְּבַר-יְהוָה, “Dabar Yahô”,

Pela importância de Dabar como simbolo e pano de fundo da mensagem de Paulo a Timóteo, devemos meditar sobre tudo o que ela significa e avaliar a sua estrutura lógica.

O sentido proposional faz uma proposta, por isso Paulo diz do seu, “propósito”, προθεσει, era o que se expunham num Templo, uma mensagem, assim que Paulo fala a Timóteo: “Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perserverança” (2Tm3.10).

Esse modelo de discipulado é sem conflito a seu tempo, mas conflituoso no seu pano de fundo cultural que atrás da cortina cultural do judeu. Não era discutida a situação dos escravos, nem das mulheres, o casamento era feito por procuração ou pelo autoridade paterna que dava seua filha em casamento.

Se percebe a dificuldade de se achar um Modelo sem conflito. Somente em Cristo se encontra esse modelo, Ele enviou os doze, mas foi Madalena quem anunciou o Cristo Ressuscitado, por isso as mulheres deviam fazer parte da missão, deviam aparecer com incumbência mais destacadas. Não se acha uma carta dirigida a uma mulher discípula lider no começo da Igreja, Se Jesus houvesse feito isso seria mal compreendido, mas Ele deixou uma pista de que é possível conferir às mulheres a missão da Igreja.

O Modelo de discipulado para hoje envolve o ontem, a voz da Igreja Primitiva, A Tese de Paulo, isto é, o seu Modelo, a voz do primeiro século assim entendido a partir do ano 100 d.c, depois da morte do último discípulo, João o discipulado amado, o período patrístico, O Modelo religioso-político dos primeiros Concílios, principalmente o Niceno, o renascentismo, o iluminismo, o século das luzes, o pietismo, e a Idade Moderna.

Não existe um modelo fechado, sem conflito, mas o melhor é a prudência, a moderação, e a contextualização, observado como disse João Wesley, A Escritura, a fe, a razão e a tradição. Lembrando sempre que sem amor nenhum modelo subsiste. Para finalizar na IMR temos uma apostila e vários escritos e um Centro Teológico para moldar e equilibrar o pensamento crítico.

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